320 crianças no DF sofreram maus-tratos nos últimos 14 meses

320 crianças no DF sofreram maus-tratos nos últimos 14 meses

Levantamento elaborado pela PCDF mostra que os autores dos casos de violência contra as crianças foram pessoas próximas

Nos últimos 14 meses no Distrito Federal, 320 meninos e meninas de 0 a 11 anos foram alvos de espancamentos, cárcere privado e outros tipos de agressões em todas as regiões da capital da República. O jornal Metrópoles teve acesso a um levantamento elaborado pela Polícia Civil (PCDF), que traça o raio-X dos crimes determinando o dia da semana, a faixa de horário, as regiões administrativas, a idade, o sexo, além dos perfis de autores e o vínculo que possuem com as vítimas.

O Brasil vem acompanhando nos últimos dias o caso no menino Henry Borel Medeiros (4), que foi encontrado morto no apartamento onde morava com a mãe, Monique Almeida, e o namorado, o vereador carioca Dr. Jairinho. Os dois tiveram a prisão temporária decretada por 30 dias pela juíza do 2º Tribunal do Júri, Elizabeth Louro, por entender que o casal estava atrapalhando as investigações.

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Henry morreu no dia 8 de março, pouco antes de dar entrada em um hospital particular da Barra da Tijuca (RJ). Segundo o casal, a criança teria sido encontrada pela mãe desacordada no quarto, sem respirar e com os olhos revirados. O vereador estava “dormindo” após ter ingerido remédio no momento do “incidente”. Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) mostrou, no entanto, que o menino tinha uma série de marcas de violência pelo corpo e morreu por causa de uma laceração no fígado.

Um estudo feito pela Divisão de Análise Técnica e Estatística (DATE) servirá para respaldar ações conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

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O relatório aponta que Ceilândia registrou o maior número de ocorrências de maus-tratos, entre janeiro do ano passado e março deste ano, com 58 casos. Logo depois, Samambaia (31), Planaltina (28) e Brasília (25). Já sobre os delitos de cárcere privado, Ceilândia lidera com 15 ocorrências, contra 8 casos no Gama e 6 no Plano Piloto.

Perfil

A maioria das vítimas são crianças entre 6 e 11 anos. De acordo com o levantamento da PCDF, nos últimos 14 meses, foram identificados 105 meninos e 59 meninas. Quando a análise é feita com vítimas ainda mais novas, entre o grupo de 0 a 5 anos, foram localizados 77 garotos e 75 meninas.

De acordo com o estudo, entre as ocorrências de maus-tratos registradas entre janeiro do ano passado e março deste ano, 38% dos autores são pais e mães das vítimas. Logo depois, 16% dos autores desses crimes são irmãos das vítimas. E 13% dos autores são ex-companheiros dos pais das crianças.

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Segundo a delegada-chefe da delegacia especializada, Simone Pereira, a oitiva da criança ou adolescente vítima ou testemunha de violência ocorre por meio de um depoimento especial, alicerçado em bases científicas, por meio da utilização de um protocolo. “Esse procedimento é essencial, pois respeita o estágio de desenvolvimento de cada vítima e reduz os efeitos da revitimização. É certo dizer, também, que o protocolo assegura os direitos do investigado”.