Brasília – Plenário da Câmara dos Deputados antes do inicio da discussão do relatório do Impeachment (Antônio Cruz/Agência Brasil)

Adversários de Arthur Lira tentam associar má gestão da crise da Covid-19 para vencerem na Câmara

Projeção indica que Arthur Lira teria vantagem na disputaa. Baleia Rossi quer demonstrar fracasso de gestão da crise sanitária para destacar a “incompetência” de Bolsonaro

A pouco mais de uma semana das eleições que definirão as posições no comando do Congresso Nacional pelos próximos dois anos, os principais adversários de Arthur Lira, candidato de Bolsonaro, apresentarão a má gestão da crise sanitária provocada pelo novo coronavírus como argumento para vencer a disputa na Câmara. Baleia Rossi (MDB-SP), candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ), vai usar o discurso para destacar a “incompetência” de Bolsonaro.

Segundo levantamento realizado entre os dias 18 e 20 de janeiro, 57% dos participantes veem Arthur Lira (PP-AL) à frente na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados.

Quem também disputará a presidência da Casa são os deputados General Pertenelli (PSL-SP), Capitão Augusto (PL-SP), Fabio Ramalho (MDB-MG), André Janones (Avante-MG), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Alexandre Frota (PSDB-SP) e Luiza Erundina (Psol-SP).

Ricardo Ismael, Doutor em Ciência Política, professor e pesquisador do Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), diz que Lira está em posição confortável.  Bolsonaro seguirá dependendo do Centrão e Baleia não romperá com o adversário ou com o grupo. “Porém, Baleia Rossi é um candidato competitivo”, avalia. “Agora, Maia vai tentar, principalmente nos últimos dias, conversar ainda mais com partidos e lideranças, para consolidar a vitória. Ele joga com o desgaste do governo, até para intimidar os deputados a declarar voto em Arthur Lira. O contexto dos últimos dias é de um Bolsonaro na defensiva e de dificuldade dos deputados saírem em defesa do governo”, analisa.

Para Ismael, o pleito mira 2022. De um lado, os cargos no governo que Lira poderá oferecer favorecem a reeleição. Já, Maia poderá sair como vice-candidato em uma chapa na disputa pela Presidência da República ou se candidatar ao governo do Rio.

Nos próximos sete dias, a tendência é de que aumente a exposição pública dos candidatos e de que ataques pelas redes sociais também se intensifiquem, avalia o analista do portal Inteligência Política Melillo Dinis. “O que me preocupa é que 2021 vai ser um ano duríssimo”, alerta. “Vai aumentar a fome. A Covid-19, em Manaus, está descontrolada, e cenários semelhantes começam a ocorrer em outras cidades. A economia será retomada em ‘K’, quando o andar de cima cresce e a grande massa da população segue jogada na miséria. Será necessário um Congresso capaz de dar resposta a isso”, afirma. “O que vai ser colocado nos próximos dias é qual o projeto dos candidatos, pois estão vivendo na bolha da eleição do Congresso”.

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