Afastamento entre Bolsonaro e Mourão pode causar troca de vice em possível candidatura

Bolsonaro enxerga o vice como um adversário para o próximo pleito e já cogita novos nomes para substituí-lo

O distanciamento entre o presidente Jair Bolsonaro e o vice-presidente, general Hamilton Mourão, está evidenciado na agenda presidencial entre eles ao longo de 2020. Neste ano, eles falaram apenas por oito horas. Segundo os assessores do Palácio do Planalto, o vice de Bolsonaro tem tentando se projetar politicamente.

Para as eleições de 2022, em uma eventual candidatura, Bolsonaro tem pensado em outros nomes para o vice, como as ministras Tereza Cristina e Damares Alves. Já o vice avalia as saídas para o seu futuro. Admitiu que pode se candidatar para uma vaga no senado e que não pensa em tentar disputar o Governo do Rio Grande do Sul.

Mourão reconheceu que “faz algum tempo” que não conversa em particular com Bolsonaro. Mas na última quarta-feira, os dois tiveram uma reunião pessoal. Segundo Mourão os dois ainda não trataram sobre as próximas eleições gerais, mas o vice garantiu que vai se manter leal ao presidente independente de qualquer eventualidade.  

“Até o presente momento, o presidente Bolsonaro não tocou neste assunto comigo. Eu estou em condições, estou pronto para acompanhá-lo, caso ele deseje e ele vá ser candidato em 2022, porque tudo é possível daqui para lá. Então, se ele decidir que vai ser candidato e me convidar, ele sabe que tem o meu apoio e minha lealdade para continuar com ele”, disse.

Para a constitucionalista e mestre em direito público administrativo pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Vera Chemim, “Mourão demonstrou não apenas prudência, como também o seu conhecimento. Tais virtudes acabam provocando animosidade por parte dos filhos de Bolsonaro, que não perdem a oportunidade de hostilizá-lo em manifestações públicas”.

Há duas semanas, depois de o general apoiar a participação da empresa chinesa Huawei no leilão do 5G no Brasil, mesmo evitando bater de frente com o seu vice, Bolsonaro foi no sentido contrário.  “Ninguém vem falar (sobre) 5G comigo, e não está aberta a agenda para quem quer que seja a pessoa, a não ser que ela venha acompanhada do ministro Fábio Faria, das Comunicações. Repito: 5G ninguém fala comigo sem antes conversar com Fábio Faria”, afirmou, durante solenidade no Planalto.

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