Alta da inflação preocupa o governo com relação à reeleição

Os alimentos subiram mais de 12% no ano, além do aumento na conta de luz. Reajustes acendem alerta no Palácio do Planalto, com relação à reeleição do chefe do Executivo em 2022

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 9,2% no grupo de alimentos e bebidas desde o início de 2020. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na terça-feira, os preços dos alimentos e bebidas sofreram uma alta de 2,54%, em novembro.

Os alimentos tiveram alta de 12,14% no ano. Em 12 meses, o IPCA passou a acumular avanços de 4,31%, acima do centro do centro da meta do governo, que é de 4%.

Pesquisas internas feitas pela equipe assessora do presidente mostram um enorme descontentamento da população com o forte aumento do custo de vida.  “As reclamações são gerais. Há um desconforto crescente em relação ao governo”, admite um integrante do Planalto. “As pessoas estão se sentindo desprotegidas, sobretudo as mais pobres, que, agora, ficarão sem o auxílio emergencial, que acaba neste mês”. 

Popularidade

Bolsonaro está apostando na melhora da economia para alcançar a reeleição em 2022, mas está preocupado com a alta nos preços dos alimentos. Paulo Guedes, ministro da Economia, afirmou que a disparada da inflação é temporária. “O problema é que esse temporário está durando demais”, diz outro integrante do Planalto. “De início, a explicação foi a de que era uma inflação dos alimentos, que passaria logo. Contudo, estamos vendo reajustes disseminados de preços”, enfatiza.

Na segunda-feira (7), Bolsonaro pediu para a população tomar banhos mais curtos para economizar na conta de luz, que sofreu um aumento há poucos dias. A tarifa sofreu acréscimo de R$ 6,243 a cada 100kWh.

A inflação de 2020 deve ficar acima do centro fixado no sistema de metas, mas dentro do intervalo previsto, chegando a 4,2% ou 4,3%. A meta para o ano é de 4%, com o intervalo de 1,5% ponto percentual acima ou abaixo do centro, variando de 2,5% a 5,5%.

O Palácio do Planalto está preocupado com a duração da alta da inflação, que afeta diretamente a popularidade do presidente. A quantidade de alimentos comprados pela população diminuiu e isso afeta a avaliação positiva da imagem de Bolsonaro e do Governo.

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