Anvisa aprova a importação de dois milhões de doses do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford com a AstraZeneca

O imunizante ainda não tem autorização de uso emergencial ou registro sanitário definitivo, por esse motivo a aprovação é de caráter excepcional

Foi aprovado nesse sábado (2), pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a importação de dois milhões de doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, com o laboratório sueco AstraZeneca. O pedido de importação foi feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que prepara uma estratégia para antecipar a campanha de vacinação contra a Covid-19 para janeiro de 2021

O imunizante ainda não tem autorização de uso emergencial ou registro sanitário definitivo, por esse motivo a aprovação é de caráter excepcional. O fundador da Anvisa e médico sanitarista Gonzalo Vecina, afirma que o pedido de uso emergencial da vacina será feito até dia 15 de janeiro.

“As vacinas que estamos adquirindo, provavelmente, obterão registro na Anvisa nos próximos dias e estarão à disposição quando o Ministério da Saúde precisar” disse Vecina.

A importação excepcional é uma preparação para antecipar a disponibilização de vacinas a partir do momento em que o seu produto estiver aprovado pela Anvisa. Até lá a Fiocruz deve garantir as condições de armazenamento e segurança para manutenção da qualidade do produto.

O governo afirmou que só irá falar sobre datas de imunização quando o registro oficial for dado pela Anvisa. Gonzalo Vecina afirma que até o atual momento são sabe como a vacinação irá acontecer, “Até agora, o Ministério da Saúde não tomou essa decisão. Quem vamos vacinar, qual o cronograma? Não sabemos como a pasta vai agir”. Ressaltou.

Alexandre Pierro, analista e consultor de inovação da Palas, aponta que o governo não está se preparando como devia, “Corremos o sério risco de termos a vacina aprovada, mas não termos seringa, algodão, capacidade de armazenamento. O capitalismo funciona de acordo com a demanda e a oferta. Não adianta o Ministério da Saúde tentar comprar seringa pelo preço que pagava há dois anos, porque não vai conseguir. Israel já conseguiu vacinar 10% da população, mas eles já tinham acordos para compras de insumos desde abril. Estamos muito atrasados”, disse.

Vantagens da vacina

Uma das vantagens da vacina produzida pela Oxford em parceria com a Astrazeneca é sua facilidade de conservação e distribuição. Rosana Richtmann, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, afirma também que o imunizante se mostrou seguro nos testes e que as reações adversas apresentadas foram consideradas “normais” de vacina, como febre e dor de cabeça.

Em relação à eficácia, resultados preliminares da fase três dos estudos clínicos, publicados no periódico científico Lancet, demonstraram uma eficácia média de 70% de proteção contra a covid-19, variação de 62% a 90%, de acordo com a dose. 

“A eficácia variou um pouco nos resultados iniciais, porém o resultado mais recente fala em torno de 70% de proteção. Mas a melhor notícia em relação a isso é que nenhuma pessoa que tomou a vacina teve a doença [covid-19] grave nem morte. Então, é uma vacina que se mostrou altamente eficaz para as doenças graves, diminuindo assim a necessidade de hospitalização”, afirma Rosana.

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