Após polémica com compras do governo, Portal da Transparência passa por mudanças

Em nota, o governo afirma erros de dados oficiais do Portal de Compras. Presidente Jair Bolsonaro ordena varredura no sistema do site

Após reportagem realizada pelo Metrópoles, apresentando uma série de gastos da União relacionados à alimentação, que totalizaram R$ 1,8 bilhão em 2020. Na quarta-feira (27) foi enviado à imprensa uma nota da Secretaria Especial de Comunicação Social afirmando que a Secretaria de Gestão do Ministério da Economia identificou falhas técnicas que causaram erros de dados oficiais do Portal de Compras. Governo ordena mudanças.

“aparente incongruência nos gastos decorrentes de falhas técnico-operacionais no preenchimento dos formulários e no tagueamento das despesas”. Segundo o Executivo, “isso elevaria equivocadamente os valores apresentados pela plataforma ComprasNet”.

Durante toda a quarta-feira, foram feitas alterações no Painel de Compras hospedado no site do Ministério da Economia. Entre as quais, a inclusão de alertas, de asteriscos, de explicações e até mudança no título da aba que apresenta a consulta sobre execução financeira, justamente a utilizada pela reportagem.

O presidente Jair Bolsonaro ordenou que fosse feito uma varredura no sistema do site, para aumentar a transparencia do portal, “técnicos apontassem melhorias operacionais para aumentar a transparência e o compromisso da gestão”. O portal ficou fora do ar na noite de terça-feira (26) e só retornou na manhã do dia seguinte.

A nota oficial emitida, recomenda que a imprensa consulte varias fontes antes de divulgar dados como estes, “A imprensa deve consultar as fontes primárias produtoras destes insumos informacionais para uma melhor compreensão das informações, produzindo assim conteúdo informativo à população e não algo eivado de más intenções”.

Porém foi esclarecido pelo Metrópoles que a reportagem seguiu rigorosamente a sugestão do governo, como manda o protocolo do bom jornalismo. Ao realizar o levantamento, acionou os ministérios da Economia, da Educação, da Defesa e o da Justiça. Todos foram procurados quatro dias antes de a matéria ser publicada. O canal usado foi o e-mail oficial de cada um dos órgãos.

Todas as pastas citadas responderam. Nenhum dos órgãos fez qualquer objeção aos valores apresentados. Tampouco apontou incoerência no caminho trilhado pela reportagem, exposto aos assessores.

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