Aumento no preço da gasolina traz prejuízo a motoristas de aplicativo

Aumento no preço da gasolina traz prejuízo a motoristas de aplicativo

Depois do quarto aumento no preço da gasolina em 2021, motoristas de aplicativos afirmam: “estamos pagando para trabalhar”

Após a Petrobras anunciar o quarto reajuste no preço da gasolina deste ano, motoristas de aplicativos temem ter que “pagar para trabalhar”. Na última sexta-feira (19), o litro da gasolina chegou a R$ 5,49 em alguns postos de Brasília e, sem reajuste nas tarifas das plataformas, motoristas afirmam não estarem apresentando lucro com a prestação do serviço.

Os preços médios da Petrobras nas refinarias subiram para R$ 2,48 (gasolina) e R$ 2,58 (diesel), após aplicação de reajustes de R$ 0,23 e de R$ 0,34 por litro. Isso representa um aumento de 10% na gasolina, desde o início do ano, o acumulado alcança 35% na gasolina e 14,7%, no diesel.

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Em alguns postos do Distrito Federal a gasolina chegou a R$ 5,70, diante disso o presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativos no DF (Sindmaap), Marcelo Chaves, afirma: “Se colocarmos na ponta do lápis e calcularmos com exatidão as receitas e despesas, nota-se que estamos pagando para trabalhar”, diz Marcelo.

Falta de apoio dos aplicativos

Líder do grupo Movimento dos Motoristas de Aplicativo no DF, Manoel Scooby, diz que diante do cenário de pandemia que o país esta passando, os aplicativos não dão apoio aos profissionais neste momento. “Os nossos lucros diminuíram pois as tarifas das corridas não tiveram reajustes”, relata Scooby, motorista de aplicativo há 4 anos.

A Uber afirma ter lançado uma parceria com a Rede Ipiranga para dar desconto aos motoristas nos postos. Manoel Scooby revela que essa parceria funciona por meio de cashbacks e descontos, mas não favorece a todos os motoristas. “Nem todos os motoristas têm cartão de crédito, o que é obrigatório para utilizar esses serviços, então eles acabam não conseguindo esses descontos, que, inclusive, nem são tão vantajosos”, destaca Manoel.

De acordo com Marcelo Chaves, presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativo do DF (Sindmaap), a entidade atualmente agenda reuniões com autoridades locais e federais para discutir melhorias para quem atua na área, uma vez que as plataformas “não dão apoio aos motoristas”. Para ele a falta de segurança já era algo preocupante, e o aumento no preço da gasolina tornou o trabalho em aplicativos inviável.

“Já não temos ajuda com a segurança e agora está inviável arcar também com o combustível. Então, aguardamos reunião com alguns parlamentares, tanto da Câmara Legislativa do DF, como federais, para ver o que conseguimos em relação às nossas tarifas. Porque, só através deles, para chegarmos nos representantes dos aplicativos”, assinala.

Segundo o representante, em 2015, ano em que os aplicativos de transporte foram legalizados na capital, a taxação era de 25%, sendo equivalente, por quilômetro rodado, a R$ 1,60. “Hoje, essa quilometragem é de R$ 0,78 a R$ 0,98, ou seja, é variável”, completa.