Bolsonaro confirma que não tomará a vacina e chama críticos de “imbecis” porque já estaria imune ao vírus

O presidente alega que pelo fato de já ter sido contaminado pela Covid-19 já estaria imune ao vírus, ignorando a possibilidade de reinfecção

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ao discursar em cerimônia no sul da Bahia, demonstrou irritação com as duras críticas que vem recebendo sobre o fato de ele não apoiar a vacinação obrigatória e chamou seus críticos de “imbecis” e que já está imune uma vez que já foi contaminado pelo vírus. O chefe do Executivo ignora, portanto, a possibilidade de reinfecção pela doença, fato que já foi observado em diversos lugares do mundo. Inclusive, ontem o país confirmou mais um caso de reinfecção no estado de São Paulo, confirmado pelo Ministério da Saúde. O outro caso foi no Rio Grande do Norte.

Bolsonaro já havia declarado na terça-feira (15) que não irá se vacinar. “Eu não posso falar como cidadão uma coisa e como presidente outra. Mas como sempre eu nunca fugi da verdade, eu te digo: eu não vou tomar vacina. E ponto final. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu. E ponto final”, disse o chefe do Executivo.

Na noite de quinta-feira (17) o país já registrava 184.876 óbitos em decorrência do vírus e 7.111.527 diagnósticos da doença. Nas últimas 24 horas 1.054 pessoas morreram no país, que não registava 1 mil mortes em um dia desde 15 de setembro.

Bolsonaro fez piadas homofóbicas com o imunizante, criticando o fato de a Pfizer não se responsabilizar pelos efeitos colaterais. “Outra coisa, que tem que ficar bem clara aqui, doutora Raíssa, lá na Pfizer, tá bem claro lá no contrato: ‘nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral’. Se você virar um chi… virar um jacaré, é problema de você, pô. Não vou falar outro bicho, porque vão pensar que eu vou falar besteira aqui, né? Se você virar super-homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com isso. Ou, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas”, disse o presidente.

O chefe do Executivo é contra a obrigatoriedade de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter que aprovar de forma emergencial, vacinas que já receberam o aval de outras entidades mundiais.

“Tem num projeto, uma medida provisória que chegou alterada pra mim, um artigo que dizia que a Anvisa tinha 72 horas para certificar, se não certificasse, certificado estava. Eu vetei. O Congresso derrubou o veto. Nós estamos mexendo com vidas. Cadê a nossa liberdade, que a gente fala tanto em liberdade?”.

“E outra coisa: quem não quiser tomar vacina, se porventura ele contrair o vírus na frente e a vacina for comprovadamente eficaz lá na frente, que a gente não sabe ainda, a responsabilidade é dele. Não podemos obrigar. Aqui nós vivemos numa democracia, pô. Aqui não é Venezuela, aqui não é Cuba. E não temos ditadura aqui, como a imprensa cansa de alardear. Não persegui gays, não persegui mulheres, não persegui nordestinos, não persegui negros, liberdade total”, declarou.

“Tenho profundo respeito pelo Parlamento, o Parlamento tem nos ajudado em muita coisa. Obviamente, alguma coisa a gente não chega a um acordo, e é natural, porque se tudo o que eu fosse mandar pra lá fosse ser aprovado, não seria democracia, e nós queremos democracia. O Parlamento tem obrigação, e continua aperfeiçoando. Deu uma pisadinha na bola nessa derrubada de veto, aí vocês deram. Porque dá vontade de pegar lá quem votou pra derrubar o veto e, vem cá, ô, cara, vai tomar injeção ou não? Vai tomar a vacina da China ou não vai? Você derrubou o veto, pô, dá exemplo”.

Live

Durante a live dessa quinta-feira (17), Bolsonaro disse que o ministro Kassio Nunes Marques foi voto vencido no plenário do tribunal. Ele foi o único ministro que não defendeu a aplicação de medidas restritivas contra quem se recusar a ser vacinado.

Para o presidente, os apoiadores que criticaram Marques não sabem ler. Bolsonaro os chamou de “direita burra, direita idiota”. “Nas mídias sociais, os caras descem a lenha em mim: ‘Olha o teu ministro, que você botou no Supremo, olha o que ele fez’; ‘não voto mais em você’. Esculhambam a gente. Não sabem o que foi votado. Lógico que a esquerda bate palma para essa direita burra, direita idiota. Bateram palma para vocês. Vocês não sabem, não interpretam, não conseguem saber o que foi votado e descem o cacete”, disse.

“O Supremo não mandou impor medidas restritivas, o Supremo falou que o presidente da República, os governadores e os prefeitos podem impor. Da minha parte, zero. Agora, todos os governadores vão impor medidas restritivas? Não acredito. Não quero pôr a mão no fogo por ninguém. Acho difícil. Não acredito”, declarou o presidente na transmissão.

“Não tem medida impositiva no ano que vem. Zero. Não tem vacina para todo mundo. Não queiram me obrigar a tomar uma posição que vá na contramão daquilo que eu sou. Então, com todo respeito ao Supremo, tomou uma medida antecipada. Nem vacina tem. Não vai ter para todo mundo”, acrescentou Bolsonaro, em outro trecho.

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