Cerimônia de diplomação do presidente eleito, Jair Bolsonaro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). À esquerda, o vice, general Hamilton Mourão.

Bolsonaro critica Mourão sobre opinião de troca de ministros: “palpiteiro”

Em recado direto ao vice-presidente Hamilton Mourão, Bolsonaro afirmou que cabe a ele escolher e demitir ministros

Na manhã desta sexta-feira (29), o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRT), afirmou que é melhor “deixar pra lá” o ataque do presidente Jair Bolsonaro. Na quinta-feira (28), Bolsonaro chamou Mourão de “palpiteiro” por ter sugerido uma possível reforma ministerial começando pelo Itamaraty.

Mais cedo, o site O Antagonista havia mostrado que o chefe da assessoria parlamentar da Vice-Presidência teria procurado o chefe de gabinete de um deputado para tratar de eventual impeachment de Bolsonaro. Mourão disse que não autorizou a articulação e anunciou a demissão do auxiliar.

“O que menos precisamos é de palpiteiro no tocante à formação do meu ministério. Todos os 23 ministros eu que escolho e mais ninguém. Se alguém quiser escolher ministro, que se candidate em 2022 e boa sorte em 2023”, afirmou o presidente ao ser perguntado por um apoiador sobre o comentário de Mourão.

O chefe do Executivo disse que a única substituição ministerial prevista é na pasta atualmente comandada por um interino.

A Secretaria-Geral da Presidência é dirigida por Pedro César Nunes Ferreira Marques de Souza desde que o então ministro Jorge Oliveira deixou o cargo, em dezembro, para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU).

“O vice falou que eu estou para trocar o chefe do Itamaraty. Quero deixar muito claro uma coisa: tenho 22 ministros efetivos e um que é interino. Aí que podemos ter um nome diferente ou a efetivação do atual. Toda semana recebo da mídia informações de que vão ser trocados ministros, tentando sempre semear a discórdia no nosso governo. Lamento que gente do próprio governo agora passe a dar palpites no tocante à troca de ministros”, reclamou Bolsonaro.

Hamilton Mourão já reclamou da falta de diálogo com Bolsonaro, mas continua defendendo o governo. Em entrevista ao Estadão, no último dia 15, Mourão rechaçou a tese de impeachment. “Deixa o cara governar, pô!”. Não vejo hoje que haja condição de prosperar qualquer pedido de impeachment contra o presidente Bolsonaro”.

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