O presidente Jair Bolsonaro fala à imprensa no Palácio da Alvorada

Bolsonaro defende o uso dos vermífugos Anitta e ivermectina contra a Covid-19

Pesquisa encomendada pelo Ministério da Ciência e Tecnologias comprova que a carga viral da doença pode ser reduzida, porém não diminui os sintomas da doença

Nesta terça-feira (5), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender o uso do medicamento nitazoxanida, conhecido como Anitta. Em publicação feita em suas redes sociais, o presidente citou um estudo encomendado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que indicou que o medicamento reduz a carga viral da Covid-19. O chefe do Executivo atribuiu a baixa taxa de óbitos por coronavírus em países africanos à distribuição em massa da ivermectina.

O estudo citado por Bolsonaro foi publicado no fim de dezembro no European Respiratory Journal, revista científica internacional, mostrando que o antiviral é capaz de reduzir a carga viral da doença nos três primeiros dias de covid-19, porém os sintomas do vírus não diminuem. A pesquisa aponta que a carga viral dos 194 pacientes que se trataram com a nitazoxanida caiu 55% depois de 5 dias. Entre os 198 voluntários que tomaram o placebo, a carga viral teve redução de 45% no mesmo período.

De acordo com o infectologista Alberto Chebabo, do Laboratório Exame, o estudo é interessante, porém não é o que os pesquisadores esperavam. “É um estudo interessante, mostra que o remédio tem atividade antiviral, mas em termos de tratamento, não muda nada. Precisamos de uma droga que mude desfecho grave, de paciente que precisa de oxigênio, de ser entubado. Uma droga que reduz a febre não muda muito a história natural da doença”, explica o especialista.

África

Bolsonaro disse ainda que a baixa no número de mortes na África por covid-19 é devido a distribuição em massa da Ivermectina, remédio indicado para tratar infestações de parasitas, como piolho e sarna.

Até o momento , não há nenhum medicamento com eficácia comprovada contra a covid-19. Associações como a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e a Sociedade Brasileira de Infectologia já publicaram comunicados nos quais afirmam que o uso da ivermectina não é capaz de evitar a contaminação pelo coronavírus. A Anvisa explicou em nota que o remédio é indicado para doenças que são apresentadas na bula nenhuma para a covid-19.

Para os cientistas a baixa no número de mortes na África se dá por alguns motivos, um deles é a capacidade de resposta a epidemias, como o ebola, o que fez com que muitos países africanos tivessem planos de emergência. Outro motivo é o fator etário, ou seja, a população africana é mais jovem do que a média mundial e a Covid-19 tem demonstrado uma incidência maior entre pessoas mais velhas.

O pesquisador do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Cris-Fiocruz) Augusto Paulo Silva, informou à Agência Brasil, que os africanos criaram imunidade a algumas doenças, “Porque as pessoas que sofrem daquela forma acabam por criar certas imunidades, por causa do tratamento de doenças como a malária, que tem muita prevalência na região, e de outras” explicou.

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