Bolsonaro é criticado por comemorar paralisação de testes de Coronavac

Declarações de Bolsonaro revelam conflito com João Doria e atitude é reprovada por políticos, entidades e especialistas

A decisão da paralisação dos testes da CoronaVac, vacina contra o Covid-19, foi comemorada pelo presidente Jair Bolsonaro. Os testes foram paralisados por decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os testes  estavam sendo desenvolvidos pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. De acordo com a Anvisa, os testes foram interrompidos após a um “evento adverso grave” não revelado.  

“Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, publicou Bolsonaro. O comentário foi feito a um seguidor do Facebook, acompanhado de um link com a notícia da suspensão dos testes. Os testes da CoronaVac foram suspensos após a morte de um dos participantes dos estudos. Segundo a Polícia Civil, o participante teria cometido suicídio.  

João Doria usou sua conta do Twitter para se manifestar. “Efeito adverso grave de um voluntário da CoronaVac não está relacionado à vacina. Anvisa é um órgão técnico. Confio que testes com vacina do Butantan serão retomados de imediato. Objetivo do Butantan é viabilizar vacina segura para todos os brasileiros. Único adversário é o vírus. “

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também reprovou a postura de Bolsonaro. “É lamentável o que está acontecendo: politização da vacina que nos livrará do coronavírus. A decência e a saúde pública exigem pratos limpo: dado o que disse o Butantan, que a Anvisa se explique. E logo”.

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) também reagiu às declarações de Bolsonaro.  “cadeia é muito pouco para canalhas que fazem politicagem com vacina”. Flávio Dino (PCdoB), afirmou que o presidente “continua a ser o maior aliado do coronavírus” no país.

Pelo menos duas entidades alegam crime contra a humanidade diante da postura do presidente Jair Bolsonaro. Uma delas é a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS). “de alguma forma, põe em dúvida as decisões técnicas que devem ser tomadas pela Anvisa”, explica Alex de Oliveira Cezar, presidente da entidade.

Disputa

Segundo a infectologista Raquel Stucchi, professora da Universidade de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), essa disputa política que gira em torno da vacina por parte dos governantes pode acarretar riscos sérios à saúde da população. Ela também criticou João Doria por prometer vacinas contra o vírus ainda neste ano.

“Houve uma antecipação por parte do governador João Doria, que prometeu a vacina primeiro para novembro e depois para dezembro. O lado muito ruim dessa propaganda é que as pessoas falam ‘se eu me vacinar daqui a duas ou três semanas, ou no mês que vem, então eu já posso ir me liberando dos cuidados, porque já vai ter a vacina’. Isso não é verdade, porque nós não vamos ter a vacina em dezembro, nós vamos ter de usar máscaras até outubro do ano que vem”.

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