Bolsonaro e seus apoiadores defendem a volta do voto impresso para as eleições de 2022

O presidente disse que vai defender a Prosposta de Emenda à constituição (PEC) e que tem estudo avançado para a volta do voto impresso. Para ele, essa mudança evitaria fraudes eleitorais

 O presidente Jair Bolsonaro vem questionado o sistema de votação realizado no Brasil. O voto, hoje, no país, é realizado por meio da Urna Eletrônica, que completou neste ano 24 anos. O filho do presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), defendeu no twitter a volta do voto impresso no país. “Vale pressionar todos os parlamentares para tratarmos essa pauta como prioritária. Isso pode ser conversado com os candidatos à presidência da Câmara, a eleição será 1º/FEV”(sic). A pressão pelo voto impresso é um sinal de que o presidente não aceitará uma eventual derrota nas próximas eleições.

Bolsonaro discute com seus eleitores o modelo eleitoral usado no país. Os resultados municipais dessas eleições foi aposto do que se era esperado pelo presidente. Muitos candidatos apoiados por ele foram derrotados nas urnas, reforçando a ideia de fraude que acontece por meio do voto realizado na Urna Eletrônica. Outra preocupação do chefe do executivo é o fortalecimento de partidos políticos ligados à oposição. Partidos como MDB e DEM, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, saíram fortalecidos das últimas eleições municipais. Rodrigo Maia é visto como adversário no Palácio do Planalto.

Voto impresso

Após a derrota do presidente americana Donald Trump, Jair Bolsonaro disse que vai trabalhar no Congresso para que o Brasil volte a ter o voto impresso em 2022. Ele defende a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) cujo texto prevê a volta do voto impressos para as eleições gerais.

A PEC foi apresentada pela deputada Bia Kicis (PSL_DF), teve a admissibilidade aprovada em dezembro do ano passado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Ela prevê que “na votação e apuração de eleições, plebiscitos e referendos, seja obrigatória a expedição de cédulas físicas, conferíveis pelo eleitor, a serem depositadas em urnas indevassáveis, para fins de auditoria”.

O STF declarou inconstitucional o trecho da minirreforma eleitoral aprovada pelo Congresso, em 2015, que previa a volta do voto impresso. Membros da cúpula do Congresso analisam que a apresentação da PEC serviria para justificar uma eventual derrota de Bolsonaro em 2022.

Especialistas

Especialistas ouvidos pelo jornal Correio Braziliense falam sobre possíveis reflexos na estabilidade democrática e no esforço da recuperação da economia do país.

Para o cientista político Paulo Calmon, professor da Universidade de Brasília (UNB), o sistema eleitoral do país deve ser tratado com seriedade. Segundo Paulo Calmon, se Bolsonaro aponta falhas na segurança da urna eletrônica, então as falhas devem ser exportas por ele. “Caso ele não seja capaz de produzir essas evidências, seria melhor não se manifestar”.

Segundo o professor, se o Bolsonaro não aceitar uma eventual derrota em 2022 e se não houver uma mudança na eleitoral, ele estará violando o seu juramento de “manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”.

“Assim como acontecerá com Trump, cujas manobras voltadas para contestar as eleições não surtirão efeito e comprometerão sua herança política, a tentativa de mimetizar esta mesma estratégia no Brasil afundará o prestígio e a herança política de quem a propõe”.

Para a advogada constitucionalista Vera Chemim, uma recontagem de votos nas eleições de 2022, gerará custos para a administração pública e paralisará o país no momento de decisões importantes. “Ele (Bolsonaro) não vai ter apoio político suficiente. Arrisco dizer que os militares vão se posicionar contra qualquer iniciativa antidemocrática”.

Já para o cientista político Ricardo Caichiolo, professor do Ibmec Brasília, o questionamento de Bolsonaro sobre a confiabilidade das urnas não tem respaldo da população e nem da mídia. “É uma pressão inócua, porque há um forte entendimento da mídia e da população de que a volta do voto impresso seria um retrocesso. Boa parte da população aprova e entende que o voto eletrônico é infinitamente melhor do que o voto impresso, dá maior segurança jurídica, maior rapidez na apuração e não é vulnerável a fraudes”.

Para Ricardo, as eleições de 2022 poderão causar instabilidade política e afastará os investidores. “Não acredito numa ruptura institucional, isso não vai acontecer de forma alguma, mas a não aceitação do resultado das eleições sempre afeta o mercado de ações. Os investidores estrangeiros tendem, em época de eleições, a ficar meio ressabiados e avessos ao risco de grandes variações dentro do cenário político do país. O que pode acontecer é um impacto negativo em termos de investimento estrangeiro, fuga de investidores, variação da alta do dólar, por exemplo, isso pode acontecer”.

Manifestação

50 apoiadores do presidente Jair Bolsonaro realizaram manifestação, na tarde de ontem, em defesa da volta do voto impresso. Os manifestantes levaram cartazes, uma cabine e um depósito para células para simular o voto impresso.

Uma de apoiadora Bolsonarista defendeu a fala do presidente, após ele lançar dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas. “Você fica na dúvida. Não pode ter dúvida”, disse a apoiadora.

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