Bolsonaro foi alertado sobre suspeita de irregularidades na compra da vacina Covaxin

A Covaxin é uma vacina feita com vírus inativado fabricada pela empresa indiana Bharat Biotech

Nesta quarta-feira (23), a cúpula da CPI da Covid reforçou a intenção de se aprofundar nas negociações envolvendo a compra da vacina Covaxin pelo governo Bolsonaro.

A Covaxin é produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, e negociada no Brasil pela empresa Precisa Medicamentos.

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirma ter alertado o presidente Bolsonaro sobre indícios de irregularidade na negociação do Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana Covaxin.

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“No dia 20 de março fui pessoalmente, com o servidor da Saúde que é meu irmão, e levamos toda a documentação para ele”.

O deputado é irmão de Luís Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, que relatou ao MPF (Ministério Público Federal), em depoimento em 31 de março revelado pela Folha, ter sofrido pressão incomum para assinar o contrato.

De acordo com o parlamentar, naquele encontro, o presidente Bolsonaro prometeu acionar a Polícia Federal para investigar o caso. “Para poder agir imediatamente, porque ele compreendeu que era grave, gravíssimo”, disse Miranda.

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Miranda e seu irmão serão ouvidos pela CPI no Senado na sexta-feira (25).

De acordo com dados do Tribunal de Contas da União (TCU), a Covaxin foi a vacina mais cara negociada pelo governo federal até agora: R$ 80,70 a unidade, valor quatro vezes maior que a vacina da Fiocruz, a AstraZeneca.

CPI

Os senadores querem entender o motivo de o governo federal priorizar a vacina indiana, com atuação direta do presidente Bolsonaro, que enviou uma carta ao primeiro-ministro da índia em janeiro.

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De acordo com levantamento feito pelo TCU, o contrato da vacina foi o que teve o desfecho mais rápido.

Neste domingo (20), em entrevista à GloboNews, o relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que são muitos os fatos atípicos sobre a compra da Covaxin que precisam ser investigados.

“Foi a única aquisição que teve um telefonema do presidente da República para o primeiro-ministro, indicando para primeiro-ministro a preferência do Brasil pela aquisição da Covaxin com todos esses problemas. E, além do mais, foram colocados na Câmara dos Deputados, naquele projeto de lei que autorizou aquisição de vacinas pela iniciativa privada, por empresários, a possibilidade de compra da Covaxin”, destacou Renan.

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