Bolsonaro ironiza o termo “genocida” e critica medidas restritivas mesmo com mais de 4 mil mortes diárias

Bolsonaro ironiza o termo “genocida” e critica medidas restritivas mesmo com mais de 4 mil mortes diárias

Mesmo com uma variação de +22% nas mortes nos últimos 14 dias, o presidente voltou a criticar medidas restritivas e criticou silêncio dos sindicados sobre perda de empregos

O Brasil registou 4.211 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, batendo pela primeira vez a marca de 4 mil óbitos em um só dia e totalizando na terça-feira (6) 337.364 vítimas. Dessa forma, a média móvel de mortes no país nos últimos 7 dias ficou em 2.775. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +22%, indicando tendência de alta nos óbitos pela doença. Mesmo assim, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar as medidas restritivas adotadas por alguns estados para conter a transmissão da doença e ironizou o termo “genocida”.

Leia também:  Mandetta diz que Bolsonaro ouvia outros grupos e não tomou providências quanto à previsão de 180 mil mortos

Em conversa com apoiadores que o esperavam na saída do Palácio do Planalto nessa terça, Bolsonaro lembra que seus críticos já o chamaram de homofóbico, racista, fascista e torturador e agora colocaram a alcinha de genocida, temos que significa “aquele que causa a morte de um grupo grande de pessoas em pouco tempo”.

“Agora… agora é o quê? Agora eu sou aquele que mata muita gente, como é que fala? Genocida! Agora eu sou genocida, riu o presidente”.

Uma apoiadora citou as 4.211 mortes registradas no país. “Hoje, mais de 4.000 morreram aqui no Brasil. Você viu isso?”,  pergunta a mulher.

Bolsonaro não respondeu e continuou falando sobre medidas restritivas. “Você vê: o povo perdendo emprego, nenhum sindicato fala nada contra isso daí”.

A mulher insistiu. “Hoje foram mais de 4.000”. Bolsonaro seguiu ignorando. “Você pode ver, até um ano e pouco atrás, um policial batia num bandido. Toda a esquerda ia contra. Agora, está o cidadão de bem…”, disse Bolsonaro, sem concluir a frase.

Bolsonaro também voltou a criticar a imprensa. “Eu resolvo o problema do vírus em poucos minutos. É só pagar o que os governos pagavam no passado para Globo, para Folha, Estado de S. Paulo. Agora, este dinheiro não é para a imprensa, é para outras coisas”.

As pessoas que conversavam com Bolsonaro também disseram que apoiariam a reeleição do presidente. “Se vocês soubessem como é barra ser presidente”, disse Bolsonaro, ressaltando, porém que “vamos desistir não”.