O presidente Jair Bolsonaro durante solenidade de Ação de Graças, no Palácio do Planalto.

Bolsonaro muda tom e diz que vacina é a chance para a retomada da economia, “nunca fui contra a vacina”

Em janeiro, Bolsonaro disse que não tomaria a vacina e que o indivíduo que recebesse a imunização deveria arcar com os efeitos adversos

Nessa segunda-feira (8), Bolsonaro (sem partido) decidiu mudar o tom e disse que imunização em massa é a solução para uma retomada mais rápida da economia. “Estamos fazendo o possível. Estamos preocupados com a vida. Se vacinar, a chance de voltarmos à normalidade na economia aumenta exponencialmente. Queremos isso aí”, disse o presidente em entrevista à TV Band.

Bolsonaro citou a mãe, Dona Olinda (93), como exemplo. Em janeiro, o mandatário afirmou que não sabia se votaria na decisão familiar, a favor da vacinação da idosa.

“Temos um vírus. Não negamos. Temos. Estamos preocupados. Hoje meus irmãos decidiram, estão votando aqui se a minha mãe vai ser vacinada ou não com 93 anos de idade. Eu já dei lá, eu votei lá sim. Com 93 anos deixar ela ser vacinada mesmo com uma vacina aí, não está comprovada cientificamente”, conto.

Em janeiro, Bolsonaro afirmou que não tomaria a vacina e que cada um que recebesse a vacina se responsabilizaria com os efeitos adversos do imunizante. “Eu não pretendo tomar vacina sem que ela seja devidamente comprovada cientificamente. Não pretendo tomar. Quem quiser tomar, o governo vai estar à disposição. O governo federal vai fazer campanha sim, mas campanha responsável para o povo se vacinar sabendo aí de todas as possíveis consequências e efeitos adversos”.

A agência reguladora foi alvo de polêmica após declarações do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), que afirmou ao Estadão que o órgão precisa ser “enquadrado” para flexibilizar a liberação de registros de outros imunizantes. Nessa segunda, Bolsonaro disse ao jornalista José Luiz Datena que não apoia essa briga com a Anvisa.

“Eu tenho conversado com o Ricardo Barros, converso com ele reservadamente. Ele já foi ministro, já foi líder de outros governos. Ele tem uma liberdade muito grande. Essa briga com a Anvisa eu não apoio. É um órgão autônomo, independente, que tem um papel importantíssimo na saúde pública”, concluiu.

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