Brasil cria em um mês 3,3 mil leitos de UTI para a Covid-19 e primeira semana do ano bate recorde de casos

Gastos com novos leitos de UTI somente em dezembro foram de cerca de 400 mi, totalizando 2,7 bi na pandemia. Estados e municípios podem solicitar novos leitos obedecendo a condições específicas

O país já contabiliza desde o início da pandemia 202.631 óbitos e 8.075.988 de testes positivos para o novo coronavírus. Somente no último sábado foram 1.171 mortes e 62.290 novos casos. O Brasil elevou em 20,3% os leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) exclusivamente para pacientes graves, aumentando de 16,2 mil leitos, na primeira semana de dezembro de 2020, para 19,5 mil na última.

Esse ritmo de crescimento de casos fez com que o país encerrasse a primeira semana epidemiológica de 2021 com o maior número acumulado de casos desde o início da pandemia. Foram registradas 359.593 novas infecções.

O governo federal gastou R$ 2,7 bi com novos leitos de UTIs. Em dezembro foram gastos cerca de R$ 400 mi.

Os dados foram monitorados pelo jornal Metrópoles, com base em informações publicadas na plataforma Localiza SUS, criada para prestação de contas e alimentada pelo Ministério da Saúde.

Estados e municípios devem mandar um ofício ao Ministério da Saúde pedindo a solicitação para ser habilitados novos leitos de UTI. Os recursos são pagos em uma única parcela para esses locais para que façam o custeio das unidades intensivas por 90 dias ou enquanto houver necessidade. Entre os aspectos observados: a) na região pelo menos 50% dos leitos devem estar ocupados; b) a estrutura para a manutenção e funcionamento da unidade intensiva; e c) o corpo clínico para a atuação em UTI. Ao todo, 21 estados receberam esse tipo de ajuda.

Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) alerta para o monitoramento que o governo federal precisa fazer. “Se tivéssemos testagem dos casos em grande quantidade, como recomendado, poderíamos ter uma previsão melhor da necessidade de leitos”, pondera.

Segundo o especialista, algumas cidades estão vivendo um colapso no sistema de saúde. Não dá para esperar o ápice para se planejar, pois criar mais leitos requer estrutura física e recursos humanos, o que não se consegue tão prontamente”, explica.

Nota

Por meio de uma nota, o Ministério da Saúde afirmou que o aumento de leitos é uma medida de apoio aos estados e municípios. A medida fortalece o Sistema Único de Saúde (SUS) e leva atendimento para a população em todo o país”.

“Os critérios são objetivos, para dar celeridade e legalidade ao processo e garantir o recurso necessário o mais rápido possível”, informou a pasta sobre a disponibilização dos leitos.

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