Brasilienses fazem ato em apoio à influencer Mari Ferrer,após crime ser tipificado como “Estupro culposo”.

O ato em apoio à vítima acontecerá nesta quarta-feira (4), a partir das 19h00, na Praça dos Três poderes. O crime, antes inexistente na legislação, ganhou o nome de “estupro culposo” para inocentar o acusado.

Mulheres por todo o país organizam ato em apoio à influencer Mari Ferrer, que foi estuprada, durante uma festa em 2018, pelo empresário André Camargo. A vítima passou por uma audiência on-line em setembro, e disse que foi humilhada pelo advogado de defesa do empresário, Cláudio Gastão da Rosa Filho. O juiz, Rudson Marcos, decidiu inocentar o acusado após julgar o crime como “estupro culposo”, crime inexistente na constituição brasileira.

A manifestação ocorre nesta quarta-feira (4), a partir das 19h00, na Praça dos Três poderes, no DF. Mulheres e manifestantes levarão velas e luzes para simbolizar apoio à vítima do crime. Além disso, em outros estados, manifestantes e integrantes do MovimentoMarianaFerrer, também organizam atos.

A publicitária e integrante do coletivo Clara Bower (21), disse ao Correio Braziliense, “Muitas mulheres que passam ou já passaram por algo assim continuarão com medo de denunciar e ir atrás de justiça. É um caso de uma mulher branca, que teve visibilidade e acesso a advogados, mas infelizmente, não pôde ter justiça quanto ao crime. Então, acho que uma decisão como essa irá calar mulheres, que se sentirão ainda mais receosas de se expor e ver o agressor ir embora, livre”. Segundo Clara Bower, ao inocentar André Aranha e chamar o crime de “estupro culposo”, colocará mulheres em maior risco e vulnerabilidade.

Segundo Clara Bower, “Infelizmente, o que ocorreu com a Mari Ferrer acontece todos os dias com centenas de mulheres. Não estamos buscando justiça apenas por ela, mas por todas nós, mulheres, que somos caladas dessa forma. Não existe estupro culposo, não há a possibilidade de se estuprar uma pessoa simplesmente ‘sem querer’. A audiência, assim como a forma como Mariana foi humilhada perante o juiz, é simplesmente inaceitável”, conclui.

O caso ganhou forças nas redes sociais após reportagens do site The Intercept Brasil denunciar a humilhação que a influencer Mari ferrer sofreu pelo advogado de defesa do acusado. Segundo o advogado de André Aranha, a vítima usou sua virgindade para se promover na internet e nas redes, disse ainda, que a vítima do estupro posou em “posições ginecológicas.”

A Associação dos Magistrados (AMC), levou em consideração a manifestação do Ministério público de Santa Catarina, responsável pela denúncia apresentada em 2019, que por falta de prova, inocentou o acusado.

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