A cúpula menor, voltada para baixo, abriga o Plenário do Senado Federal. A cúpula maior, voltada para cima, abriga o Plenário da Câmara dos Deputados.

Câmara e Senado elegem hoje novos presidentes

Os principais nomes na corrida são o do líder do chamado Centrão, Arthur Lira; e o de Baleia Rossi. No Senado, Rodrigo Pacheco é o favorito para suceder Davi Alcolumbre. Simone Tebet (MDB-MS), Lasier Martins (Pode-RS), Major Olimpio (PSL-SP) e Kajuru (Cidadania-GO) também vão concorrer

Nesta segunda-feira (1), deputados e senadores decidem quem serão os futuros presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal pelos próximos dois anos. Cada casa realiza sua eleição em horários diferentes. O Senado deve iniciar o pleito às 14h00 horas. Na Câmara, a eleição acontecerá às 19h00 horas.

Com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, o deputado Arthur Lira (PP-AL) e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) chegam com amplo favoritismo para a eleição de hoje.

Bolsonaro disse que os dois candidatos que apoia na eleição interna para as presidências das Casas deverão ajudar a destravar a puta prioritária do governo e pode levar à recriação de ministérios.

“Se tiver um clima no Parlamento, pelo que tudo indica, as duas pessoas que nós temos simpatia devem se eleger. Não vamos ter mais uma pauta travada, a gente pode levar muita coisa avante. Quem sabe até ressurgir os ministérios”, afirmou, durante evento no Palácio do Planalto.

No fim de 2020, o principal concorrente de Lira na disputa, Baleia Rossi (MDB-SP), comemorava o apoio formal de 11 siglas (DEM, MDB, PSDB, PSL, Cidadania, PV, PT, PSB, PDT, Rede e PCdoB). Agora, com o investimento pesado de Bolsonaro, o que não deverá sair barato, o general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, as legendas estão rachadas. Por mais que Rodrigo Maia (DEM-RJ) peça e se esforce para aglutinar seu partido em torno de Baleia, é certo que nem todos os 29 deputados do DEM votarão no emedebista.

Na noite de ontem, a Executiva Nacional do DEM, anunciou a ruptura com o bloco de Baleia Rossi na Casa. Com essa mudança, ampliou-se a dianteira de Lira na composição partidária. Seu bloco reúne 11 siglas e 225 deputados. Já o de Baleia tem 10 legendas, totalizando 209 parlamentares. O voto é secreto e os deputados não são obrigados a seguir a orientação partidária.

O líder do DEM, Efraim Filho (PB), afirmou que ele e o presidente da sigla, ACM Neto, fizeram uma “avaliação de cenário” e concluíram que a independência seria o melhor encaminhamento. Rodrigo Maia lamentou a decisão.

Votos

Lira conta com os votos abetos dos baianos Elmar Nascimento, Arthur Maria, Paulo Azi (vice-líder do governo na Câmara), Igor Kannário, Leur Lomanto Junior.  “A gente olha daqui para frente, no que é melhor para o país neste instante, que é uma Câmara que seja independente — e quem conhece a história de vida do Arthur sabe que ele é independente, a despeito do que estejam falando —, mas que tenha harmonia com os outros poderes. É um momento que precisa de muita união para o país”, frisou Nascimento.

Bolsonaro exonerou temporariamente os ministros Onyx Lorenzoni (Cidadania) e Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), deputados eleitos pelo DEM, para participar da eleição. Ambos são veteranos na Casa, conhecem os meandros, o tom de voz que usa nas negociações.

O PSL foi alvo da ação do presidente, ao conseguir que desembarcasse da candidatura de Baleia. “O PSL está consolidado e isso vai ser muito bom para o país, e para reformas que ficaram paradas na presidência atual, que muito prejudicou o país”, afirmou o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), ex-líder do governo na Casa.

Emendas

Segundo reportagem do jornal o Estado de S.Paulo, a campanha de Bolsonaro por Lira e pelo senador Rodrigo Pacheco custou R$ 3 bi para que os 250 deputados e 35 senadores usassem em emendas para obras nos seus estados. Bolsonaro também retaliou parlamentares apoiadores de Baleia e Simone Tebet (MDB-MS) que mantém afilhados em cargos na administração federal. Dos casos mais que exemplificam essa ação são os dos deputados, como Fabio Reis (MDB-SE) e Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ): pessoas indicadas por eles para postos no Executivo foram exoneradas nas últimas semanas depois de os dois anunciarem que votariam em Baleia. Isso que dizer ainda que, depois das fraturas no DEM e no PSL, o MDB (que tem 33 deputados) e o PSDB (com 31) também estão sendo trabalhados para, hoje, se dividirem. E entregarem parte dos votos a Lira, ou melhor, a Bolsonaro.

Print Friendly, PDF & Email