Câmara tem 1ª mulher negra na Mesa Diretora

A Mesa Diretora responde pela gestão da Casa e analisa ações disciplinares contra deputados

Com 418 votos, Rosângela Gomes (Republicanos) está entre os 11 parlamentares eleitos para formar a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, na gestão do novo presidente Arthur Lira (PP-AL). Dos sete cargos titulares, três serão ocupados por mulheres, um recorde de participação feminina na direção da Casa. Além disso, esta é a primeira vez que uma mulher negra ocupa um cargo na Mesa Diretora. Rosângela (54), é carioca e está em atividade na casa desde 2015.

Rosângela Gomes contou ao UOL que sofreu todo tipo de descriminação. “Foi assim que terminei meus estudos quando não tinha nem casa para morar”.

Além de Rosângela, ocuparão a Mesa Diretora Marília Arraes (PT-PE) na 2ª secretaria e Rose Modesto (PSDB-MS) na 3ª. Em sua atuação como deputada, Rosângela tem defendido propostas de proteção para as mulheres e políticas de igualdade racial à população negra.

“Estou feliz por ter recebido a confiança dos meus colegas deputados que acreditam na nossa proposta. Também fico feliz pelo meu partido ter acreditado na força da mulher negra e periférica para estar aqui representando uma parcela significativa do Rio de Janeiro”, afirmou a parlamentar à TV Câmara.

Ela é advogada e auxiliar de enfermagem. A parlamentar diz que quer consolidar os debates sobre questões raciais.  “Estou representando a história de quem vem de um bairro periférico, de uma cidade como Nova Iguaçu. Será uma grande responsabilidade e farei o possível para corresponder da melhor maneira possível”, enfatizou.

Desde a Assembleia Nacional Constituinte, em 1988, apenas 15 mulheres conseguiram ocupar cargos na Mesa Diretora. Todas essas mulheres se autodenominaram brancas ou não souberam responder. Apenas Rosângela que se inscreveu como “preta”.

“Espero e luto todos os dias para que o Brasil, como país miscigenado que é, abra mais espaços para negros e negras que, com muito trabalho e competência, possam mostrar o seu valor”. Para Rosângela os desafios ainda serão grandes.

Para Kelly Quirino, professora da Universidade de Brasília (UnB), a desigualdade no Congresso é um espelho da nossa sociedade. “Primeiro o negro tem que lutar para sobrevivência, depois para se qualificar. Aí, tem que convencer que pode entrar em um partido, ser eleito e provar que tem conhecimento e capital político para ocupar os cargos”.

Para a professora, a sociedade brasileira é racista, sexista e machista. “Essas pessoas são pioneiras, quando uma mulher chega para ser secretária, ela já entendeu como funciona o modus operandi e tem que mostrar a outras como chegar lá e facilitar o caminho”, concluiu.

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