Central de Interpretação de Libras (CIL) auxilia surdos e mudos desde 2010

A CIL disponibiliza intérpretes para auxiliar a comunicação entre surdos e ouvintes, o acompanhamento é feito mediante agendamento

No ano de 2021 o GDF decidiu manter a Central de Interpretação de Libras (CIL), na Estação 112 Sul do Metrô. A CIL disponibiliza intérpretes para auxiliar a comunicação entre surdos e ouvintes. Eles apoiam os surdos em comunicações por telefone, vídeo-chamadas ou redes sociais. Para atendimentos externos, principalmente em órgãos do governo, como em delegacias ou nas agências de atendimento do Banco de Brasília (BRB), do Detran, da CEB e da Caesb, o surdo deve solicitar o acompanhamento do interprete mediante a agendamento.

Benedito Carlos Melo da Cunha (45) é a prova viva de que a CIL funciona. Após problemas com o banco, por falta de entendimento de ambas as partes, Benedito procurou a Central de Interpretação de Libras e seu problema foi resolvido. Ele voltou ao banco acompanhado por um intérprete de Libras da Secretaria Extraordinária da Pessoa com Deficiência (SEPD) e renegociou a dívida.

“Eu queria saber o valor da próxima prestação e quanto ainda faltava para ser pago”, conta. “Eu tentei escrever um bilhete para a atendente, ela fez uma carta enorme para mim e eu não entendi.”, disse Benedito.

Algo que falantes do português não sabem é que os surdos não dominam o português, eles possuem uma língua própria que é a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Apesar de conhecer as palavras mais usuais, os surdos têm dificuldade de compreender a contextualização das frases, mesmo que elas sejam escritas. Informações dadas totalmente em português para surdos vai acarretar uma comunicação falha.

O gerente da Central de Interpretação em Libras (CIL), Alexandre Castro, afirma que surdos não entendem totalmente o português, “Muita gente desconfia da capacidade dos surdos, dizem que eles não entendem as coisas, mas é porque as informações são dadas em uma língua que ele não domina, que é o português”, detalha.

Novidades da CIL

A estrutura da CIL vem aumentando cada dia mais, devido a demanda que cresce a cada ano. De janeiro a dezembro de 2020, a central realizou mais de sete mil atendimentos. A CIL foi transferida da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) para a SEPD, o que aumentou a força de trabalho e atendimento da central. Em julho, a central ganhou um carro exclusivo para transportar os surdos e os intérpretes.

Segundo Alexandre Castro a CIL conta com novos funcionários, “A nova gestão veio com novas estratégias de atendimento. Antes, dependíamos da agenda do carro da Sejus que fazia vários outros serviços. Não havia um carro específico”.

A Secretaria da Pessoa com Deficiência visa ainda ampliar os atendimentos da CIL e espera o Ministério da Justiça aprovar um projeto para implementar a CIL on-line. A ideia é ter uma equipe de intérpretes à disposição das pessoas surdas que, através de um link, poderão acessar o serviço em qualquer lugar do DF.

“Esse serviço dá mais autonomia e independência para a comunidade surda, faz com que o surdo seja entendido sem precisar de um familiar ou uma terceira pessoa, o que é uma forma de acessibilidade”, afirma Alexandre Castro, gerente da CIL.

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