Combate à pandemia é comprometido devido a grupos antivacinas e notícias falsas

Fake news e politização sobre a questão da vacina são responsáveis por desestimular população a se vacinar. Cerca de 22% de brasileiros dizem que não irão se vacinar

Devido a uma grande polarização em volta da vacina, muitos decidiram que não irão se vacinar contra a Covid-19. Segundo pesquisa Datafolha, divulgada no sábado (12) pelo jornal Folha de S. Paulo, 22% dos brasileiros afirmaram que não têm a intenção de se vacinar contra a Covid-19. O próprio presidente do país, Jair Bolsonaro disse que não vai se vacinar. “Eu não vou tomar a vacina [contra a Covid-19] e ponto final. Problema meu”, argumentou ele.

Uma mulher, mãe de dois filhos e grávida de outro, decidiu que não vai se vacinar e nem a suja família, pois acredita que o próprio corpo é capaz de se curar. “Mas não falamos abertamente sobre isso, por orientação do nosso médico homeopata“. A mulher falou que nunca imunizou os seus filhos, mas tem um atestado que alega, falsamente, que seus filhos são alérgicos.

A politização sobre a questão da vacina é vista como preocupação pela Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), além dos movimentos antivacinas e fake News. “É uma atitude lastimável. Isso é crime de ética. A própria Associação Médica Homeopática Brasileira não tolera isso e apoia o calendário de vacinação“, critica Isabella Ballalai, vice-presidente da SBim. Em todo o mundo, estima-se que a imunização contra doenças salve cerca de 3 mi de pessoas por ano.

“Desconfiar das vacinas ou não aderir às campanhas pode levar a perdas irreparáveis“, afirma Luiz Carlos Dias, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu o aval na última quinta-feira (17), que os governos locais possam estabelecer medidas para vacinação compulsória da população contra a Covid-19. “É um cenário muito difícil. Precisamos de falas de confiança que sejam coerentes com o que a ciência diz. E a ciência está sendo atropelada no Brasil durante toda essa pandemia“, critica Ballalai.

Desinformação

Ballalai, que é pediatra, diz que a maior parte do conteúdo que alimenta os grupos antivacinas vem de fora. “Cerca de 50% das informações difundidas aqui são importadas da Europa e Estados Unidos“, pontua a médica.

A pesquisa realizada pelo Ibope com 2.002 pessoas, apontou que 7 em casa 10 brasileiros acreditam em alguma informação falsa relacionada a vacinas. 13% disseram que não irão se vacinar ou não vacinarão uma criança sob seus cuidados. Entre os motivos estão a falta de planejamento ou esquecimento.

“Percebemos que a rede que dissemina a desinformação é bem formada, é profissional. E com o cenário que a gente está vivendo hoje, de negação da ciência e disputa política, isso está piorando“, avalia Ballalai.

Para Dias, a autuação do movimento antivacina é “absolutamente irresponsável, criminosa”, principalmente em meio a uma emergência mundial.   “Covid-19 não é uma questão individual, é uma questão de saúde coletiva. Se não tivermos uma imunização em massa, nós não atingiremos uma imunidade coletiva necessária“, afirma o pesquisador.

“As vacinas vêm principalmente para diminuir mortes, hospitalizações e casos graves. Mas não será o fim da doença, 2021 será ainda um ano de distanciamento social, de não aglomeração e uso de máscaras“, ressalta Ballalai.

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