Começo de 2021 é marcado pelo fim do auxílio emergencial e desemprego

O novo ano é o começo de mais uma etapa de dificuldades para milhares de famílias do Brasil

Reportagem realizada pelo Metrópoles aponta que o fim do auxílio emergencial irá causar impactos devastadores na vida de várias famílias. Diante desse cenário de pandemia, o aumento de pessoas desempregadas e o fim de programas como a suspensão temporária de contratos de trabalho, fará com que a procura de serviço seja ainda maior, porém segundo especialistas as empresas tendem a segurar contratações diante de incertezas sobre a vacinação contra a Covid-19.

Karen Cristina de Castro (29), mãe de sete filhos, teme pelo futuro. Cabeleireira desde os 15, ela precisou vender seus instrumentos de trabalho para sustentar seus filhos por um curto período de tempo. Karen disse ao Metrópoles, que teria direito aos R$ 1.200 do auxílio emergencial por ser mãe solo, mas recebeu R$ 600 (R$ 300 a partir de setembro) porque o nome do ex-marido consta no Cadastro Único. O Bolsa Família foi cancelado em janeiro deste ano sem explicações, conta.

Karen afirmou que deixa seus filhos dormirem até às 11h para que não sintam fome, “Eles estão acordando às 11h30 para pular o café da manhã e almoçar”, lamentou.

Daiana Rodrigues (36), iria ser efetivada como gerente de uma cafeteria, porém quando a pandemia de covid-19 chegou acabou sendo demitida em março, a única fonte de renda da família de Daiana, formada por quatro filhos, é de seu marido que é camelô. Eles vivem com R$ 1.300 por mês.

“Antes a gente comprava carne para estocar na geladeira. Agora tem dia que não sobra mais para comermos. Eu ia ao mercado e comprava leite, iogurte e bolacha para as crianças. Ou seja, esse dinheiro [do auxílio] vai fazer muita falta. É um ano que começa com dificuldades, em vez de uma mudança boa só veio a piora.”, disse Daiana.

Desemprego

O desemprego bateu recordes durante o período da pandemia do novo coronavírus. Em novembro do ano passado, 14 milhões procuraram uma vaga no mercado de trabalho, segundo a Pnad Covid (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid).

Renan Pieri, professor de economia da Escola de Administração do Estado de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), afirma que programas como a suspensão dos contratos de trabalho seguraram as pontas dos desempregados, mas o fim dele iria trazer uma pressão ainda maior para o mercado de trabalho.

“Nos próximos meses, com o encerramento do período de garantia de emprego para o trabalhador com contrato suspenso, acreditamos que vai haver um crescimento expressivo no número de pessoas desempregadas. Se não tivesse o programa, esta taxa estaria acima dos 20%””, avalia Pieri.

Para o professor, umas das soluções para recuperar o mercado é a vacinação, “Se a gente conseguir imunizar uma quantidade expressiva de pessoas o quanto antes, a economia volta a funcionar de forma mais rápida”, afirma Pieri.

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