Congresso quer avançar com pautas econômicas mesmo com prisão de deputado

Congresso quer avançar com pautas econômicas mesmo com prisão de deputado

A prisão de Daniel Silveira, deputado bolsonarista, acendeu um alerta com relação ao avanço de pautas importantes no Congresso Nacional, relacionadas à economia e à pandemia. Congressistas pretendem evitar embate político que prejudique avanço das pautas

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) foi preso na noite de terça-feira (16), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do inquérito que investiga ataques aos ministros do Tribunal e notícias fraudulentas. A prisão de Silveira dominou as discussões da Câmara dos Deputados nas últimas horas, deixando um alerta sobre o andamento da pauta ligadas à economia. Em meio às discussões importantes, como a renovação do auxílio emergencial, a Câmara parou para discutir o futuro do deputado bolsonarista.  

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), ressaltou que não se deve desviar pautas acordadas com o ministro da Economia Paulo Guedes. Enquanto isso, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tentava costurar acordo com os líderes partidários sobre o futuro de Daniel Silveira. “Não elevaremos esse episódio a uma crise institucional. Seguimos com as prioridades comuns do Brasil: vacina, auxílio e reformas”, escreveu Pacheco nas redes sociais.

Pacheco vai comandar hoje uma reunião de líderes do Senado, em que deve ser definida a tramitação do “novo marco fiscal” pedido por Guedes como contrapartida para a retomada do auxílio.

“Há boa vontade dos líderes e das bancadas com a responsabilidade social e fiscal”, disse o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM). “O auxílio emergencial é uma unanimidade. É possível votar algo na próxima terça ou quarta-feira”.

“São assuntos importantes e distintos. Vamos discutir hoje na reunião de líderes do Senado, e a Câmara não vai parar tudo por conta disso (a prisão de Daniel Silveira)”, reforçou o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO).

Reformas

A PEC do Pacto Federativo deve ganhar uma cláusula de calamidade pública para deixar o auxílio emergencial fora do teto de gastos. A proposta deve tramitar com a PEC Emergencial, que prevê medidas de cortes de gastos e sofrem maior resistência política.

A deputada Flávia Arruda (PL-DF), presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO), disse ao Jornal Correio Braziliense que a CMO não vai retardar os trabalhos diante da prisão de Daniel Silveira. O objetivo é aprovar o orçamento até o fim de março. “O país não pode mais esperar”, afirmou.

“O auxílio emergencial vai avançar rápido porque é uma pauta importante para o país e os parlamentares reconhecem isso. Daniel Silveira é pequeno diante dessa questão, logo não deve atrapalhar, a não ser que Bolsonaro transforme o caso em um problema maior”, afirmou o professor de ciência política do Insper, Humberto Dantas.

Dantas, no entanto, não acredita que essas reformas prosseguirão com tanta agilidade. “A questão do Daniel Silveira pode ser superada rapidamente, mas a pauta de reformas econômicas não, porque o Centrão vai cobrar o preço dos acordos firmados com Bolsonaro”, explicou.