Covid-19: Na contramão de alguns países do mundo, a cada 100 mortes pela doença, 22 foram no Brasil

Registrou 1.275 mortes pela Covid em 14 horas e totalizou 279.602 óbitos

Nessa segunda-feira (15), o Brasil chegou a uma média de 1.855 mortes por Covid-19 a cada dia, 46% de aumento na comparação com a média de duas semanas atrás. O país chegou a essa média depois de registrar 1.275 mortes em 24 horas. No total, 279.602 pessoas perderam a vida para a doença desde o começo da pandemia. O país completa 22 duas seguidos com média móvel acima de mil.

Tendo em vista o panorama global: nos últimos cinco dias, a cada 100 óbitos por Covid-19 no mundo, pelo menos 22 foram registradas no Brasil. Há uma semana, o país está à frente dos Estados Unidos na média móvel de mortes.

O dados divulgados fazem parte de um levantamento do (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, com base nos relatórios do Our World in Data, que acompanham diariamente o avanço do novo coronavírus no Brasil no mundo.

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O professor do Instituto de Física da Universidade Brasília (UNB) e membro de grupo de pesquisa interdisciplinar que várias universidades brasileiras para estudar o avanço da Covid-19 no país, Tarcísio Marciano da Rocha Filho, ressaltou a preocupação com os índices do Brasil.

 “O número real de óbitos por Covid-19 é bem superior ao anunciado oficialmente, chegando a mais de 365 mil mortes. E isso é uma progressão por baixo”, salientou. “No momento, a gente tem evitar transmissão. Está crescendo, a situação da saúde está crítica, as UTIs estão lotadas e a tendência é piorar. Enquanto não tem vacina para todo mundo, a gente precisa evitar contatos, ficar em isolamento e usar corretamente a máscara”.

Segundo o médico intensivista Otavio Ranzani, pesquisador da faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Saúde Global (ISGlobal), o país está na pior fase da pandemia. “Como estamos falando, o vírus já era uma bomba, agora as variantes se transmitem mais e, no geral, o pessoal tem feito de tudo para o vírus ser transmitido. As subidas são muito mais rápidas que antes. Talvez a gravidade também seja maior”, escreveu o especialista, que é referência sobre o assunto. “Infelizmente já vivemos e podemos viver cenas ainda mais tristes”.

As previsões para as próximas semanas, segundo especialistas, não são as melhores. “Com o país todo colapsando, a próxima semana promete ser a pior desde o início da pandemia. E a seguinte, pior ainda”, alertou o médico, neurocientista e professor catedrático da Universidade de Duke (EUA) pelas redes sociais, no último sábado (13).

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