Covid-19: Vacina russa Sputnik V tem 91,6% de eficácia, aponta estudo

A vacina já está sendo aplicada na Rússia e em outros países, como Argentina e Argélia. Os resultados preliminares consideram que a vacina, administrada em duas doses, mostrou “grande eficácia” e foi bem tolerada pelos voluntários maiores de 18 anos

A vacina desenvolvida pelo instituto russo de pesquisa Gamaleya para a Covid-19, Sputnik V, teve eficácia de 91,6% contra a doença, segundo resultados preliminares publicados nesta terça-feira (2) na revista científica “The Lancet”. A eficácia contra casos moderados e graves da doença foi de 100%.

O estudo foi feito com cerca de 20 mil participantes. Desses, houve 16 contaminados que desenvolveram a Covid-19 com sintomas leves no grupo de vacinados e 62, entre aqueles que tomaram placebo.

Os resultados preliminares consideram que o imunizante, administrado em duas doses, “mostrou grande eficácia” e foi bem tolerada pelos voluntários com mais de 18 anos que participaram na última etapa dos testes clínicos, indicou Inna Dolzhikova, pesquisadora do Centro Nacional Gamaleya da Rússia e coatora do estudo.

Os pesquisadores, assim como todos os desenvolvedores de vacinas da Covid-19 até agora, só mediram os casos sintomáticos da doença para calcular a eficácia da vacina. Mais estudo serão necessários para determinar a eficácia do imunizante em impedir a transmissão da doença.

Outra observação feita pelos cientistas é de que ainda não é possível determinar a duração da proteção que a vacina oferece, porque os dados foram analisados cerca de 48 dias após a primeira dose.

“O resultado parece bastante razoável, dentro do esperado, e finalmente um pouco de transparência nos dados russos. Eu acho que os resultados são muito bons e algumas coisas [são] muito positivas, como uma boa eficácia em idosos”, avalia o médico e virologista Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.

Mas segundo observações de Nogueira, os cientistas só testaram a forma líquida da vacina, que precisa ser conservada em temperaturas muito baixas. “Para ser utilizada aqui no Brasil, precisa testar a forma liofilizada [desidratada em baixas temperaturas] ou outra forma para ser utilizada em larga escala”, alerta.

“Mas eu continuo insistindo que a Sputnik tem que seguir os critérios que a Anvisa colocou, como fazer uma parte dos testes no Brasil para que seja aprovada. Acho que o Brasil não pode abrir mão dos critérios colocados pela Anvisa para todas as vacinas”, acrescenta.

Imunizante no Brasil

No dia 21 de janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se reuniu com representantes da União Química, laboratório brasileiro que participa do consórcio envolvido na produção da vacina russa. De acordo com a Anvisa, o grupo ainda não entrou com o pedido de autorização emergencial.

Os estados do Paraná e da Bahia formalizaram acordos com a Rússia visando a encomenda de doses e a produção da Sputnik V no país.  

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