Crítico da cloroquina, Carlos Carvalho, é escolhido por Queiroga para equipe de combate à Covid-19

A cloroquina, remédio defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, já comprovado cientificamente ineficaz contra o novo coronavírus  

Carlos Carvalho, professor da Universidade de São Paulo (USP) e um dos principais críticos ao tratamento precoce com cloroquina, foi escolhido pelo novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para coordenada um grupo sobre protocolos de combate à Covid-19.

Queiroga anunciou o nome de Carlos Carvalho nesta quarta-feira (24), durante a coletiva de imprensa realizada no Palácio do Planalto. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a equipe se baseará nas mesmas medidas adotadas pelo Hospital das Clínicas e InCor.

“A falta de organização central e as informações desconexas sobre medicação sem eficácia contribuíram para a letalidade maior na nossa população. Não vou dizer que representa 1% ou 99% (das mortes), mas contribuiu”, disse Carvalho em entrevista à BBC News Brasil.

“Alguns prefeitos distribuíram saquinho com o ‘kit covid’. As pessoas mais crédulas achavam que tomando aquilo não iam pegar covid nunca e demoravam para procurar assistência quando ficavam doentes”, disse na entrevista.

Bolsonaro continua defendendo o tratamento precoce, já comprovado cientificamente ineficaz contra a novo coronavírus. Na sexta-feira (19), o chefe do Executivo voltou a defender publicamente a chamada “nebulização da hidroxicloroquina”.

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Questionado pela Folha sobre o cargo, Carvalho disse que ajudará Queiroga neste momento crítico, mas que não fará parte do ministério e não terá cargo específico.

“Coordeno a teleUTI do InCor HCFMUSP [Hospital da Faculdade de Medicina da USP], tendo realizado mais de 7 mil atendimentos em diferentes hospitais públicos do estado de SP. Nesse sentido, capacitação de equipes e teleconsultoria, disse que poderia contribuir”, afirmou o professor.

Vacina

No primeiro pronunciamento após tomar posse, o ministro da Saúde prometeu aumentar em três vezes o ritmo de vacinação contra a Covid-19.

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De acordo com o ministro, é possível passar de 300 imunizados por dia 1 mi em curto espaço de tempo porque “o Brasil tem condições de vacinar muitas pessoas”. Ele também garantiu que recebeu autonomia para fazer indicações na pasta, com a criação de uma secretaria especial para cuidar da pandemia do novo coronavírus.

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