Dia da Mulher e a luta pela igualdade e contra a violência doméstica

No DF, 2.534 mulheres vítimas de violência doméstica procuraram a polícia para denunciar agressões

Nesta segunda-feira (8) é comemorado o Dia Internacional da Mulher, uma data que deve ser lembrada e celebrada todos os dias, pois marca a luta das mulheres pela igualdade de direitos civis. Esse movimento começou em 1909 e até hoje todas que se identificam com o gênero feminino passam por momentos em que seus direitos são retirados e desvalidos pela sociedade patriarcal.

No DF, a violência contra a mulher ainda é uma realidade assustadora, entre janeiro e fevereiro deste ano 2.534 vítimas de violência doméstica procuraram a polícia para denunciar os agressores. Especialistas afirmam que é necessário uma educação social para mudar essa realidade.

A professora do serviço social da Universidade Católica de Brasília (UCB), Adelina Almeida de Araújo, diz que é preciso acabar com o machismo estrutural, aquele que é cultural e inerente a diversos aspectos de uma sociedade, tendo sido normalizado por muitas décadas. “A questão emblemática na nossa sociedade é o machismo estrutural. É preciso quebrar o silêncio que encobre a sociedade e o Estado”, disse.

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Este mês, a Secretaria de Segurança Pública lança o Dispositivo de Monitoramento de Pessoas Protegidas (DMPP) para vigiar autores de violência doméstica e garantir a segurança das vítimas. O projeto piloto conta com cinco mulheres, que terão à disposição, inclusive, um novo Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam), localizado no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob).

“A ideia é que a vítima não receba apenas a proteção do dispositivo, mas o atendimento psicossocial específico para o tratamento desse momento de vulnerabilidade”, explica Éricka Filippelli, secretária de Estado da Mulher.

Dia da Mulher mais inclusivo

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Não pode ser deixado de lado que mulheres lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis também comemoram o Dia da Mulher. Muitas mulheres transexuais relatam que não são lembradas neste dia, a atriz Nayara de Souza Peixoto (28), diz que nunca recebeu parabéns pela data. Mulher transexual, a atriz revela que passa pela invalidação de identidade dentro da própria casa.

“Então, todo dia é uma luta. Todos os dias, eu acordo e sei que sou uma mulher trans, mas, todo dia, em algum momento, eu tenho que me recolocar como mulher”, conta Nayara.

Outro relato é da produtora cultural Sylvia Borba (29), que no ano passado quando decidiu tirar um folga de seu trabalho, nesta mesma data não foi incluída nas comemorações.

“Foi um dia horroroso. Fui ao salão [de beleza] e estavam dando flores para as mulheres, mas não deram para mim. Fui a um restaurante e estavam dando sobremesa de graça [às mulheres]. Eu paguei pela minha sobremesa. Não é sobre a rosa, pois eu tenho as minhas próprias questões sobre isso, mas eu queria ganhar esse carinho”, desabafa Sylvia.

No Brasil crimes contra sexualidade e performance de gênero (lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis) acontecem todos os dias. No País mulheres transsexuais e travestis passam por uma situação pior e de mais vulnerabilidade. O Brasil é o que mais mata travestis e transexuais no mundo e os números não param de crescer.

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Mulheres lésbicas ou identificadas desta forma são vítimas de “estupros corretivos”. Esse tipo de violência sexual é cometida com o intuito de controlar e punir as mulheres homoafetivas e assim “corrigir” a sua orientação sexual.

Todas as mulheres devem ter direitos, liberdade, segurança e uma vida digna, cada dia que passa um passo é dado nesta luta, mas muitas coisas ainda precisam mudar. O Governo precisa entender que investir em políticas públicas e instituir equipamentos para suporte à mulher, não é gastar dinheiro. É investir na saúde da família, no afeto positivo e, consequentemente na qualidade de vida do País.

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