Diferença no registro de pessoas vacinadas contra a Covid-19 de secretarias e ministério chega a 69,4%

A inconformidade pode ser ainda maior. Somente 14 unidades da Federação informaram dados atualizados até a conclusão do levantamento do Metrópoles

A vacinação contra o novo coronavírus começou no Brasil em 17 de janeiro, com São Paulo. Todas as capitais brasileiras receberam do Ministério da Saúde doses das vacinas CoronaVac e de Oxford. Porém, existe um descompasso no número de pessoas que foram imunizadas. A discrepância chega a 69,4% entre o contabilizado pelas secretarias estaduais de Saúde e o Ministério da Saúde.

A plataforma de transparência relacionada à pandemia, LocalizaSUS, registra 354.365 doses já aplicadas. As secretarias de Saúde notificaram 1.156.069 imunizados. Ou seja, diferença de mais 800 mil pessoas.

Um levantamento feito pelo Metrópoles mostrou que somente 14 unidades da Federação informaram dados atualizados. Todos os estados e o Distrito Federal foram questionados.

A ação é importante para que as autoridades sanitárias acompanhem o desempenho da campanha de vacinação no país.

Os agentes de saúde podem cadastrar as informações no sistema de atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), no sistema de informação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) ou na plataforma do município ou do estado.

Defasagem

O cruzamento dos dados informados pelas secretarias de Saúde à reportagem com os registros no Ministério da Saúde também apresenta diferença.

No Rio Grande do Sul, que aparece em 2º lugar no ranking de vacinação, segundo a plataforma do governo federal, foram aplicadas 39.715 doses. Mas a plataforma local indica 122.890 pessoas vacinadas.

Em Minas Gerais, que lançou nesta quinta-feira (28) o sistema de contabilização estadual, estão registradas 136.897 pessoas imunizadas. Já no portal do Ministério da Saúde, 30.756.

Versão oficial

Segundo o Ministério da Saúde, o painel de vacinas aplicadas do LocalizaSUS é atualizado diariamente. Os dados de doses aplicadas e coberturas vacinais dependem de os estados e municípios alimentarem o sistema.

“Caberá aos gestores estaduais fazer o registro das doses aplicadas no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização ou em um sistema próprio que seja interligado com ele, por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)”, diz parte da nota.

O ministério ressalta que o registro da dose aplicada da vacina será nominal e individualizado, garantindo o reconhecimento do cidadão vacinado pelo número do Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou do Cartão Nacional de Saúde (CNS), a fim de possibilitar o acompanhamento das pessoas vacinadas, evitar duplicidade de vacinação e identificar ou monitorar a investigação de possíveis eventos adversos.

“As salas de vacina que ainda não estão informatizadas ou não possuem uma adequada rede de internet disponível deverão realizar os registros de dados em formulários, para posterior registro no sistema de informação em até 48 horas”, salienta o texto.

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