Divisões internas no PSDB, DEM e MDB favorecem Bolsonaro nas eleições de 2022

Após Bolsonaro oferecer negociação de verbas e cargos federais para conseguir apoio nas eleições da Câmara e Senado, partidos se dividem e favorecem campanha eleitoral do presidente em 2022

Após as eleições para presidência da Câmara e Senado, várias divisões internas no PSDB, no DEM e no MDB mostraram que a interferência do governo nas eleições surtiu efeito. O cenário após a vitória dos candidatos apoiados pelo Palácio do Planalto sinaliza que as três siglas de centro-direita deverão disputar separadamente a corrida presidencial do ano que vem. O cenário desorganizado favorece Bolsonaro.

Entre as medidas tomadas pelo presidente Jair Bolsonaro para conseguir o apoio a Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) estão a negociação de verbas e cargos federais, que acabou provocando uma série de “traições” em vários partidos.

A divisão entre as siglas acabou com o projeto dos partidos de centro de, a partir das eleições no Congresso, impulsionar um bloco de oposição para enfrentar Bolsonaro em 2022. Rodrigo Maia (DEM-RJ), que planejava montar o grupo de oposição a Bolsonaro, deixou a presidência da Câmara enfraquecido e rompido com a cúpula do seu partido, que decidiu adotar a neutralidade, abandonando a frente de apoio à Baleia Rossi (MDB-SP).

O cientista político Marco Antônio Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que, enquanto os partidos brigam internamente, Bolsonaro é poupado de críticas.

“As contendas internas das outras siglas explodiram e isso beneficiou Bolsonaro. Os adversários estão brigando dentro de seus próprios partidos e isso poupa a artilharia que havia contra Bolsonaro”, disse Teixeira.

O maior ganho de Bolsonaro ao se envolver pessoalmente nas eleições no Congresso foi o enfraquecimento de Dória e de Maia, seus principais adversários. Dessa forma, o presidente anulou 60 pedidos de impeachment apresentados contra ele na Câmara. Além disso, com a vitória de Lira e Pacheco, o ambiente, no Legislativo, é mais propício à tramitação das chamadas pautas de costumes, fundamentais para a mobilização das bases bolsonaristas.

Eleições 2022

O presidente está próximo de anunciar o partido pelo qual vai se candidatar à reeleição. Na sexta-feira (12) foram iniciadas as negociações com o Patriota. Enquanto Bolsonaro se fortalece, os adversários seguem mergulhados em uma série de indefinições, não só na centro-direita, como também na esquerda, cujos partidos parecem estar longe de alcançar uma aliança para as eleições do ano que vem.

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT); o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB); e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) são, até o momento, os virtuais candidatos desse espectro político.

Bolsonaro deve manter seu discurso antipetista e contra a esquerda em geral, o mesmo que surtiu efeito na disputa de 2018. O cientista político André Pereira César, da Hold Assessoria Legislativa, afirma que o antipetismo se tornou um partido político.

“Em 2018, a cúpula do PT, os formuladores do PT não entendiam o antipetismo ainda. Talvez, agora, em 2021, eles entendam que o antipetismo é um ‘partido’ forte, que tem peso e capilaridade junto à sociedade. Então, tendo Bolsonaro um eleitorado com esse perfil antipetista, fica mais fácil para ele trabalhar nesse diapasão”, diz o analista. “O PT tem de virar esse jogo, porque o Bolsonaro trabalha o antipetismo muito bem. Por isso que ele bateu forte na centro-direita nas eleições do Congresso.”

Em entrevista ao Uol, Fernando Haddad (PT), derrotado por Bolsonaro no segundo turno das eleições 2018, disse que os partidos de oposição deveriam fazer um acordo de apoio a qualquer candidato que possa enfrentar Bolsonaro no 2º turno.

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