Durante a pandemia, GDF reformou 9 em cada 10 escolas

Foi investido R$ 110 mi em obras e reformas para melhorar a infraestrutura oferecida aos estudantes de 300 escolas. Os outros R$ 42 mi foram aplicados, até o fim de 2020, em serviços de manutenção de 294 unidades

Durante a pandemia de Covid-19, o GDF não deixou de investir em melhorias na capital. Das 686 escolas da rede pública, cerca de 90% receberam algum tipo de obra. A região administrativa que mais foi beneficiada foi a do Recanto das Emas. O Recanto RA recebeu aproximadamente R$ 1 mi em investimento ao longo de 2020 e começo de 2021. Segundo a Secretaria, nos próximos meses, mais de R$ 2,35 mi serão desembolsados. Pelo menos 29.385 estudantes e 1.670 professores serão beneficiados.

Segundo Leonardo Balduíno, subsecretário da Infraestrutura Escolar da Secretaria de Educação, o trabalho é para ampliar a capacidade de atendimento da rede e dar mais conforto e segurança aos estudantes, professores e aos que frequentam os espaços escolares. “Atendendo ao apelo de toda a comunidade escolar, anunciamos a execução de mais cinco grandes obras no início de 2021: reconstrução do Caic Carlos Castello Branco no Gama; reconstrução da EC 59 e reforma do CEM 10, em Ceilândia; construção de mais duas escolas técnicas em Santa Maria e no Paranoá. São obras historicamente demandadas pelas comunidades e que estão sendo realizadas a partir de projetos inovadores e adequados às práticas pedagógicas atuais”.

O subsecretário afirmou que oito creches em diversas regiões da capital em licitação ou prestes a tem a construção contratada. “Vamos licitar ainda novas escolas na Estrutural, Jardins Mangueiral, Samambaia e Paranoá. É importante frisar que as unidades escolares da rede pública de ensino também estão passando por intervenções de manutenção para garantir o funcionamento adequado das suas instalações quando houver a reabertura para atividades pedagógicas presenciais”.

Estrutura

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Rosilene Corrêa, diretora do Sindicato dos Professores no Distrito Federal, afirma que as reformas são de suma importância para o ensino. “Durante esse período que estamos em trabalho remoto, não acompanhamos de perto o que está sendo feito, mas recebemos os relatórios da Secretaria. É muito importante que se utilize esse momento para fazer reparos, até porque, mais do que nunca, precisamos de escolas bem preparadas para um possível retorno presencial quando for viável”.

Segundo a diretora, antes da pandemia, muitas escolas necessitavam de reparos e reformas.  “Há unidades muito necessitadas de uma intervenção, salas com ventilação ruim, sem janelas adequadas, sem ventiladores, com superlotação de alunos e com baixa iluminação. E, além de os professores ficarem muito tempo dentro das salas de aula, porque é o nosso ambiente de trabalho, temos os alunos que ficam ao menos 5 horas por dia. E, obviamente, ter conforto e qualidade de estrutura pode ajudar. No fim, a qualidade da educação também é influenciada por esses fatores”.

Simone Lavorato, doutora em educação e neuropsicóloga disse que o processo de ensino e aprendizagem depende da infraestrutura. “Se o ambiente em que o aluno está não for adequado, isso afetará o seu desenvolvimento. A sensação de bem-estar e segurança faz toda a diferença na hora de aprender. Isso acontece porque, em uma situação de estresse, o cérebro libera cortisol, e o cortisol inibe esse processo de absorção de conhecimento. Além disso, a sala depende de diversos estímulos, como ilustrações, por exemplo, para impulsionar a cognição da criança”.

Simone lembrou que não se trata de um ambiente de luxo, mas confortável. “Não é questão de ter uma cadeira acolchoada, um ar-condicionado ou ter luxo, claro que, quanto melhor forem as condições, mais confortável essa criança vai se sentir e terá mais tranquilidade no processo de ensino e aprendizado. Mas há escolas em que chove dentro das salas, que, na frente do portão, tem uma poça de lama, que as áreas de atendimento especializado são em salas mal iluminadas, escondidas. Esses fatores, é importante explicar, não impedem o aprendizado, obviamente, mas dificultam o processo”.

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Investimento

Foi investido R$ 110 mi em obras e reformas para melhorar a infraestrutura oferecida aos estudantes de 300 escolas. Os outros R$ 42 mi foram aplicados, até o fim de 2020, em serviços de manutenção de 294 unidades.

Neste ano, a Secretaria planeja atender 300 escolas.

Licitações

A Secretaria de Educação já abriu cinco licitações para a construção de novas escolas. O presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do Distrito Federal (Aspa-DF), Alexandre Veloso, contou que a comunidade recebeu com alegria as ações da pasta. “Como associação, tivemos a oportunidade de acompanhar muito os processos de construção, reformas e reconstrução. E essas ações são fundamentais, porque a infraestrutura é um dos pilares para os alunos terem um ambiente acolhedor. E, claro, também é importante essa qualidade aos professores para terem um ambiente de trabalho que não os adoeça”. Para Veloso, é primordial que os pais e a comunidade sejam ouvidos na tomada de decisões da Secretaria. “Quando o pai é valorizado, a escola só tem a ganhar, pois muitas soluções são encontradas com dicas simples dos responsáveis que fazem parte do dia a dia das escolas. Cada escola é um organismo vivo, e essa dinâmica de ouvir os lados é importante. Principalmente, daqueles que são diretamente afetados”, finalizou.

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