Em nova provocação a Doria, Bolsonaro chama Butanvac de “Mandrake de São Paulo”

Bolsonaro ironizou o imunizante pelo fato de usar tecnologia desenvolvida por hospital nos Estados Unidos, colocando em dúvida que vacina seja 100% brasileira. Mas segundo o Butantan, o desenvolvimento da vacina será, sim, 100% nacional  

Na noite dessa quinta-feira (23), durante transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chamou a vacina Butanvac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, de “Mandrake de São Paulo”.

Bolsonaro, ao lado do ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, ironizou o fato de a Butanvac usar tecnologia desenvolvida por hospital nos Estados Unidos para a produção do imunizante, colocando em dúvida que a vacina seja “100% brasileira”.

Segundo o Butantan, a vacina será “100%¨nacional” e que a parceria com o Hospital Mount Sinai, de Nova York, é livre de pagamento de royalties e pode ser feita “por qualquer instituição de pesquisa em qualquer parte do mundo”.

“Vamos lá, Marcão. Como é que está nossa vacina brasileira? Essa é 100% brasileira, não é aquela ‘Mandrake’ de São Paulo, não, que tinha os Estados Unidos no meio. Essa é 100% brasileira. Como ela está, qual o nome dela?”, perguntou o presidente ao ministro.

Butanvac

A vacina foi anunciada na manhã de 26 de março, pelo Instituto Butantan, como o primeiro imunizante contra a Covid-19 produzido totalmente no Brasil.

A tecnologia da Butanvac usa o vírus de uma doença respiratória (chamada de doença de Newcastle, uma patologia que não provoca sintomas em seres humanos) como vetor para levar a proteína Spike do novo coronavírus de forma íntegra, estimulando o organismo a produzir anticorpos contra o causador da Covid-19.

A técnico do vetor viral como forma de levar a proteína Spike não é novidade: as vacinas de Oxford/AstraZeneca e da Janssen também utilizam um vetor viral com a proteína do novo coronavírus para estimular uma resposta imunológica.

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