Em suas redes sociais, Dilma afirma parcialidade na Operação Lava Jato e sai em defesa de Lula

Após diálogos da Operação Spoofing serem divulgados, Dilma diz, “as gravações são suficientes para sepultar de vez a suposta imparcialidade da Operação Lava Jato”

Após conversas entre procuradores da operação Lava Jato e o ex-juiz federal Sergio Moro serem divulgadas e apreendidas na operação Spoofing, a ex-presidente Dilma Rousseff usou suas redes sociais neste domingo (7) para afirmar que a lava-jato é parcial e deve anular de vez processos contra Lula. “as gravações são suficientes para sepultar de vez a suposta imparcialidade da Operação Lava Jato”, disse Dilma.

Dilma disse que o Supremo Tribunal Federal (STF) pode suspender Sergio Moro de seu cargo e punir todas as ofensas proferidas por Moro e os procuradores. ” O STF pode e deve declarar a suspeição de Moro e, assim, anular os processos contra Lula. Também pode e deve punir as ofensas cometidas por Moro e seus procuradores ao direito de defesa, ao devido processo legal, ao estado democrático de direito e ao próprio Judiciário.” publicou Dilma.

Sobre os diálogos, Dilma afirmou que está claro a manipulação, “Os diálogos provam que a Lava Jato manipulou o sistema de justiça, atentou contra a soberania nacional, em acordos ilegais com agentes estrangeiros, corroeu a democracia, contribuiu para o golpe de 2016, prendeu Lula sem provas e, com isto, levou a extrema direita ao poder. “, disse por fim a ex-presidente.

Operação Spoofing

A operação Spoofing apura a atuação de um grupo de hackers que invadiu celulares de autoridades, como o de procuradores e de Moro, e afirmam ter tido acesso a mensagens trocadas no Telegram. O grupo reuniu diálogos de 3 de setembro de 2015 a 8 de agosto de 2017, apontando que Moro orientava os procuradores sobre como apresentar a denúncia contra o petista no caso do tríplex do Guarujá.

Ao procurador da República e coordenador da Lava-Jato no Paraná, Deltan Dallagnol, Moro informava, antecipadamente, medidas judiciais adotadas contra investigados. Além de interferências, os diálogos revelam preconceitos de classe dos integrantes da força-tarefa e ataques depreciativos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No dia 25 de janeiro de 2021, Ricardo Lewandowski autorizou à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o acesso ao conteúdo apreendido. Dias depois, em 1º de fevereiro, o magistrado derrubou o sigilo das conversas.

Procuradores pedem sigilo

Procuradores que integraram a Operação Lava Jato em Curitiba insistiram, neste sábado (6), ao Supremo Tribunal Federal (STF) no pedido para que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tenha acesso a mensagens apreendidas pela Operação Spoofing. A autorização ao petista foi dada pelo ministro Ricardo Lewandowski.

Os procuradores querem que o material seja devolvido ou que os advogados do ex-presidente sejam impedidos de usar os diálogos em ações na Justiça. Os advogados de defesa alegam que, como os diálogos foram adquiridos de forma ilícita, não podem ser usados no tribunal.

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