Ernesto Araújo nega na CPI ter provocado atrito com a China

Apesar de ter se oposto à reação chinesa às declarações ofensivas do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, no ano passado, Araújo negou que episódio prejudicou as relações com o país

Nesta terça-feira (18), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga ações e omissões do governo na pandemia, o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo afirmou que nunca promoveu “atrito com a china”.

“De modo que os resultados que nós obtivemos na concepção de vacinas e em outros aspectos decorrem de uma política externa que não era de alinhamento automático com os Estados Unidos, multilateral ou de enfrentamento com a China”, explicou.

Ernesto Araújo garantiu que não houve alinhamento do governo brasileiro com os Estados Unidos ou qualquer outro país. “Houve uma aproximação. Brasil só embarcou em iniciativas que fossem do governo brasileiro. Não temos nada contra o sistema multilateral, queremos que ele funcione”.

Araújo também declarou que não houve benefícios à imunização de brasileiros com a proximidade com os Estados Unidos, pois os norte-americanos proibiram a exportação de vacinas. “Sim, como eu disse, os Estados Unidos proibiram qualquer exportação de vacinas”, disse na CPI.

Crise diplomática

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O ex-ministro já esteve envolvido em uma crise diplomática com o governo chinês após declarações do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub.

No final do ano passado, por exemplo, Eduardo Bolsonaro fez uma série de publicações em sua rede social que acusava a China de espionagem via 5G. “O Brasil apoia projeto dos EUA para o 5G e se afasta da tecnologia chinesa”, dizia a publicação, que foi apagada por ele. E continuava: “O governo de Jair Bolsonaro declarou apoio à aliança Clean Network, lançada pelo governo Donald Trump, criando uma aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”.

A embaixada chinesa divulgou uma nota como resposta manifestando forte insatisfação e repúdio ao comportamento do deputado e disse que as personalidades brasileiras devem “deixar de seguir a retórica da extrema direita norte-americana, cessar as desinformações e calúnias sobre a China e evitar ir longe demais no caminho equivocado”.

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O Itamaraty respondeu à nota da embaixada da China no Brasil, chamando a resposta chinesa de ofensiva e desrespeitosa, dizendo não ser apropriado que “agentes diplomáticos” tratem assuntos dos dois países pelas redes sociais e que tal atitude não é construtiva e gera “fricções”.

“O tom e conteúdo ofensivo e desrespeitoso da referida ‘declaração’ prejudica a imagem da China junto à opinião pública”, pontuou o ministério em carta divulgada na época. 

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