Falta de estrutura nos postos de saúde dificultarão armazenamento da vacina contra Covid-19

Imunizantes necessitam de baixas temperaturas para conservação e muitos postos de saúdes não têm os freezers adequados

Segundo especialistas e técnicos do Ministério da Saúde, o país enfrentará algumas dificuldades com relação à logística e ao armazenamento da vacina contra a Covid-19, isso porque os imunizantes necessitam de temperaturas baixas. A vacina desenvolvida pelos laboratórios Ptfizer e BioNTech, por exemplo, precisam ser armazenadas a -70º C negativos. O Brasil tem mais de 10 mil postos de saúde, mas a realidade de cada um é distinta, principalmente, quanto à localização e estrutura. Manter freezers na temperatura adequada para conservação pode ser a maior dificuldade.   

O Ministério da Saúde enviará as doses aos estados que farão a logística de distribuição em seus municípios. A capacidade dos estados em guardar e distribuir essas doses ainda é uma dúvida, explica um técnico. “Algumas regiões do Norte e do Nordeste têm mais dificuldades com a rede de frios, ou seja, com as geladeiras para guardar esses insumos. Em 2010, na vacinação contra a pandemia da gripe H1N1, essas dificuldades foram notadas nos centros de saúde”

Segundo Leonardo Weissman, consultor da Sociedade Brasileira de infectologia (SBI), os postos de saúde não estão preparados para armazenar os imunizantes. “No momento, as unidades de saúde brasileiras não estão preparadas. A maior parte das vacinas usadas na rotina ficam armazenadas em temperaturas que variam de 2 a 8ºC. Manter vacinas armazenadas abaixo de -70ºC é uma situação difícil até para países desenvolvidos”.

Para ele, adaptações terão que ser feita no produto. As companhias farmacêuticas devem buscar soluções de adaptação da resistência da vacina a temperaturas mais altas”.

O médico e doutor em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Flávio Goulart, está preocupado com a capacidade dos postos com relação ao armazenamento da vacina. “De maneira geral, há uma rede de frio montada no país. O grande problema é a falta de energia, que afeta as cidades e regiões mais remotas, vide caso do Amapá. Idem nas zonas rurais. Fazendo uma brincadeira: onde uma empresa de sorvetes consegue levar seus picolés o estado tem obrigação de fazer chegar às vacinas”.

Versão oficial

De acordo com nota oficial, o governo irá imunizar, “tão logo uma vacina segura seja disponibilizada”. “O país, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), conta com grande expertise na realização de campanhas de vacinação e esse conhecimento, inclusive na logística, será utilizado na vacinação contra a Covid-19 – que seguirá os trâmites já realizados nas campanhas de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) ”.

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