Feminicídio: média de quatro por dia no Brasil e dois no DF em 2021

No Brasil são registrados em média quatro feminicídios por dia, desde o começo de 2021 já foram duas vítimas no DF

Desde o dia 1° de janeiro de 2021 até hoje, já foram 46 mulheres vítimas de feminicídio, em todo o Brasil, em média quatro mulheres a cada 24 horas são assassinadas no País. Se somadas as tentativas, a quantidade é ainda maior: foram 76 vítimas de ódio baseado em gênero.

O levantamento foi feio pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, com base em casos já noticiados pela mídia, pois os dados de órgãos oficiais são mensais, e não diários.

Desde o início da pandemia foi observado um aumento no número de casos de feminicídio e outros tipos de violência contra a mulher. A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno explica que a pandemia acentuou a violência doméstica, pois mulheres que viviam sob constante ameaça passaram a ficar mais tempo com seus agressores, seja por passarem a trabalhar remotamente ou por terem perdido seus trabalhos.

Segundo Lia Zanotta Machado, professora da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em direitos humanos e violência urbana, vários fatores contribuem para esses resultados.

“Junta-se a situação reflexiva do início do ano, os encontros com familiares, a situação econômica grave do país, o pavor latente em um contexto pandêmico e o isolamento, e cria-se enormes gatilhos para que os agressores façam o que acreditam que podem fazer, que é controlar as mulheres”, disse.

“Além disso, temos falta de orientação e de políticas públicas, dificuldades de atendimento a mulheres por causa da pandemia e sexismo estrutural. Estamos em uma escalada de violência”, frisou a docente.

Em nota técnica publicada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi apontado que o número de casos de violência doméstica diminuíram durante o ano, mas o número de vítimas fatais aumentou. O motivo de termos mais mulheres mortas se dá porque não há tempo de denunciar, as mulheres são mortas antes mesmo de conseguirem pedir socorro.  

“A violência letal contra a mulher pode ser considerada o resultado final e extremo de uma série de violências sofridas. Nesse sentido, as evidências apontam para um cenário onde, com acesso limitado aos canais de denúncia e aos serviços de proteção, diminuem os registros de crimes relacionados à violência contra as mulheres, sucedidos pela redução nas medidas protetivas distribuídas e concedidas e pelo aumento da violência letal”, diz o texto.

Casos

No Distrito Federal, desde de o começo de 2021, já foram registrados dois casos de feminicídio.

O primeiro caso foi uma mulher de 37 anos morta a facadas na noite da última sexta-feira (8), em Ceilândia, no Distrito Federal. A vítima é Isabel Ferreira Alves, que trabalhava como auxiliar de serviços gerais.

Relatos de uma testemunha afirma que a mulher gritava por socorro, “Socorro, me ajuda, ele está me matando”, teria implorado a vítima. A testemunha disse que tentou ajudar, mas a mulher caiu no chão morta, “Saí correndo depois que ouvi os gritos, mas ela já tinha caído no chão. Ela pra pedir ajuda, mas acabou caindo”, lamento a vizinha. “Nós presenciamos sem poder fazer nada.”

O segundo caso foi Marley de Barcelos Dias, que teve sua casa invadida pelo seu ex-marido Geovane Geraldo Mendes da Cunha, que após entrar na casa disparou quatro vezes contra a mulher que morreu no local.

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