Wilson Dias/Abr

Fiocruz prevê colapso do sistema de saúde com as festas de fim de ano

Fundação alerta que o vírus já circula de forma sincronizada em todo o país e o quadro pode piorar ainda mais coma as festas de Natal e de Ano Novo, devido às condições favoráveis à disseminação do vírus

Nessa terça-feira (8), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fez um alerta com relação ao risco de sistema de saúde do país entrar em colapso com o provável agravamento do número de casos de Covid-19 a partir do fim do ano.

Segundo o alerta, o vírus já se espalhou por todo o território nacional. Esse aumento, tanto nas regiões metropolitanas quanto no interior, pode levar a um aumento alto de casos sem possibilidade de atendimento. O colapso poderá acontecer nas próximas semanas, justamente na época do ano em que a procura por hospitais já tende a crescer, devido a acidentes nas estradas e outros fatores.

Além disso, a Fiocruz avisa que a situação pode piorar ainda mais com as festas de fim de ano. “No Brasil, a gente vê um volume de festas e confraternizações de fim de ano acontecendo, as pessoas estão viajando para encontrar com seus entes familiares e essa movimentação vai facilitar o aumento do vírus. As redes de atenção de saúde vão entrar em colapso”, explica o pesquisador de Comunicações e Informação em Saúde e do Monitora Covid-19, Diego Xavier.

No Rio de Janeiro, por exemplo,quase 500 pessoas com Covid-19 ou com suspeita da doença estão na fila por um leito no estado do Rio, 485 pessoas estão cadastradas no Sistema Estadual de Regulação e metade dos pacientes aguarda leito na UTI.

Segundo o último boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde, em 24 horas, foram contabilizadas mais de 20 mortes, chegando a um total de 23.151. Em um dia foram mais de 301 casos confirmado de Covid-19 no estado.

O vírus já se espalhou por todo o país e os dados mostram os surtos das capitais e seu entorno. As cidades do interior caminham no mesmo ritmo.

“Nos próximos meses, a busca por assistência especializada pode aumentar simultaneamente, nas regiões metropolitanas e no interior, provocando novo colapso do sistema de saúde”, afirma a Fiocruz.

Sincronização da pandemia

Até o fim de maio, as regiões metropolitanas concentravam 67% das mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que é a manifestação mais séria da covid-19, registradas pelo sistema Infogripe. Enquanto os surtos das capitais e das áreas metropolitanas crescia, a epidemia ainda era branda no interior.

Os casos começaram a cair nas capitais e aumentar no interior, o que levou a um esgotamento da capacidade do atendimento de hospitais de diferentes regiões em tempos diferentes, “possibilitando o deslocamento da população em busca de atendimento em locais para onde existiam leitos disponíveis”.

“Mesmo assim, a doença (Covid-19) acabou por ocupar boa parte dos demais leitos de UTI, o que explica em parte o excesso de óbitos observado por outras causas de internação”, destaca a Fiocruz.

Festas de fim de ano

Agora, os surtos estão sincronizados em um momento em que o coronavírus “já circula com bastante velocidade e volta a ocupar os leitos hospitalares”, diz a Fiocruz. “a circulação das pessoas no período de festas de fim de ano e férias deve acelerar a disseminação do vírus”, afirma a instituição na nota técnica.

Na Europa houve uma movimentação no período das férias, que acelerou a disseminação da Covid-19 e levou a um aumento no número de casos. O mesmo deve ocorrer no Brasil com as epidemias sincronizadas. O aumento de casos tende agora a ocorrer ao mesmo tempo em vários locais, “o que gera um volume alto de casos sem possibilidade de atendimento”.

“Os impactos desse crescimento, somados a vários fatores – desmobilização de leitos extras dos hospitais de campanha; a ocupação de leitos por outros problemas de saúde que ficaram represados durante o avanço da epidemia de Covid-19; a maior circulação de pessoas; as dificuldades de identificação de casos e seus contatos devido à baixa testagem; e o relaxamento dos cuidados de distanciamento social, uso de máscaras e higiene – podem acarretar um cenário preocupante”, diz a Fiocruz.

Alerta

A Fiocruz alerta que as festas de Natal e Ano Novo podem, em vez de trazer um “conforto emocional”, tornar o início de 2021 um período ainda mais difícil.

As reuniões devem envolver o mínimo de pessoas possível e as festas devem ocorrer em locais abertos e bem ventilados.

Por fim, os cuidados devem ser redobrados nos deslocamentos, para evitar acidentes, já que “com a ocupação dos leitos para tratamento de covid-19, outros agravos de saúde podem não dispor de atendimento em UTI”.

Print Friendly, PDF & Email