Gastos do governo aumentam 21% devido à pandemia e é o maior valor em cinco anos

Dados divulgados pelo Portal da Transparência mostram uma desaceleração dos gatos no mês de novembro. Julho foi o mês que o governo mais utilizou o orçamento, 16,43%

 Segundo os dados do Portal da Transparência, que é um site de acesso livre, no qual o cidadão pode encontrar informações sobre o dinheiro público que é utilizado, administrado pela Controladoria-Geral da União (CGU), a despesa do governo federal chegou a R$ 3,16 trilhões até novembro, um aumento de 21% em relação ao gasto total em 2019. O valor que foi usado no combate a pandemia, poderá refletir nas contas públicas também em 2021. O valor é o maior da série história iniciada em 2016. O orçamento aprovado para 2020 foi de R$ 4 trilhões, fora recursos destinados à Covid-19.

Segundo o Ministério da Economia, até agora os gastos com a pandemia foram de R$ 562,5 bi. Esse dinheiro foi destinado a compra de testes, remédios e insumos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Além de despesas com o auxílio emergencial, que é um benefício concedido pelo governo destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores, autônomos e desempregados, com o objetivo de fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise do Covid-19. Ao todo o orçamento na pandemia é de R$ 605 bi.

Portal da Transparência

2016 – R$ 2,49 trilhões

2017 – R$ 2,39 trilhões

2018 – R$ 2,52 trilhões

2019 – R$ 2,61 trilhões

2020 (até novembro) – R$ 3,16 trilhões

Despesas gastas com os Poderes Executivos, Legislativos e Judiciário.

Segundo os dados do portal de transparência, julho foi o mês em que o governo mais utilizou o orçamento, 16,43% do reservado. No Mês de novembro houve uma desaceleração dos gastos. Até o momento, a despesa do governo foi de 4,3%.

Em maio e junho, logo no início da pandemia, as despesas do governo foram de 10,23%, para 6,88% e 7,7% em maio e junho. Os órgãos com as maiores despesas são os ministérios da Economia (R$ 1,9 trilhão), Cidadania (R$ 296 bilhões), Saúde (R$ 137 bilhões) e Educação (R$ 99 bilhões).

Pós-pandemia

Para especialistas, o enfrentamento da pandemia de coronarvírus irá refletir nas contas do governo futuramente.

Segundo o diretor-presidente do Instituto Operação Política Supervisionada (OPS), Lúcio Big, o governo precisa ficar atento aos gastos para tentar minimizar os efeitos negativos. “O governo federal tem uma tarefa árdua pela frente, pois ao mesmo tempo em que é necessário agir para que o crescimento econômico ganhe força e estabilidade, sem gastar mais do que pode e impedir que a inflação se torne um problema financeiro e político, ter um olhar mais atento aos menos favorecidos e às micro e pequenas empresas, é essencial para que os efeitos da pandemia, que ainda não acabou, sejam superados”.

Para o economista Eduardo Moreira, equilibrar as contas é um desafio.  “Se o governo não estimular a economia, haverá queda de arrecadação, que vai fazer o governo ficar com menos investimento e com a economia mais fraca. A maior preocupação neste momento tem que ser tirar o país desse ciclo vicioso que pode destruir as contas públicas”.

A Secretaria de Orçamento Federal do Ministério da Economia garante que os gastos estão ocorrendo dentro do planejado.

Para enfrentar a pandemia, o Congresso aprovou em 2020 a Emenda Constitucional nº 106, que criou regime extraordinário fiscal, financeiro e de contratações para enfrentamento de calamidade. Esses recursos são chamados de “orçamento de guerra”.

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