GDF se prepara para enfrentar segunda onda da Covid-19

Por meio de sorteio, GDF irá escolher 230 pessoas em cada região administrativa para fazer exames e identificar se estão com anticorpos da Covid-19. Só serão testados maiores de 18 anos

O Governo do Distrito Federal (GDF) apresentou todas as medidas para enfrentar uma possível segunda onda da Covid-19. Na manhã dessa segunda-feira (30), durante uma coletiva de imprensa virtual, o secretário da Saúde Osnei Okumoto afirmou que um inquérito epidemiológico, envolvendo mais de 100 profissionais de saúde, será aplicado nas 34 regiões administrativa a partir desta quarta-feira (2), começando por Ceilândia.

O inquérito será realizado por meio de amostragem e sorteio, com busca ativa das pessoas para fazer o teste. Serão sorteadas 230 pessoas em cada região administrativa para fazerem exames e identificar se estão com anticorpos ou não.  

“O DF apresentou um aumento, não tão acentuado, do índice de transmissão do coronavírus. O inquérito epidemiológico vai nos trazer dados mais precisos sobre a chegada de uma possível segunda onda de Covid-19. Mas nós estamos aqui para demonstrar que o GDF está preparado para fazer este enfrentamento” garantiu o secretário de Saúde.

No GDF já há leitos disponíveis, testes para detectar a doença na população, inclusive, mais nomeações de profissionais de saúde. Até o momento, a rede pública possui leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e enfermaria reservados para pessoas acometidas pela doença. São 205 de UTI Covid em hospitais. Osnei Okumoto garantiu que a situação está sob controle. “Desses, 124 estão vagos, o que corresponde em torno de 30% de leitos ocupados. Estamos em uma situação estável”.

A rede pública também conta com leitos de cuidados intermediários (UCI) e de Cuidados Intermediários Neonatais (Ucin), que possuem suporte de ventilação mecânica. Ao todo são 112 de UCI e Ucin, em 10 hospitais. Desses, 66 estavam vagos. Já os de enfermaria são 293 no total, nos hospitais regionais da Asa Norte (Hran), Ceilândia (HRC) e Universitário de Brasília (HUB), mais o Hospital de Campanha da Polícia Militar (PM).

O secretário da saúde pediu também a mobilização da população. “É importante que a sociedade faça a sua parte respeitando o distanciamento social, mantendo o uso de máscara e, caso tenha sido testado positivo, respeitar o isolamento de 14 dias”.

Cássio Peterka, diretor de Vigilância Epidemiológica, ressalta que está alinhando a ação com o Corpo de Bombeiros e o Sesc para organizar a aplicação do Inquérito em Ceilândia. “O resultado disso será importante, porque é como se fosse uma fotografia do que aconteceu no Distrito Federal. Vamos utilizar o inquérito sorológico para saber quais pessoas já tiveram, ou não, contato com a Covid-19. Lembrando que nem todo mundo que tem contato com o vírus adoece”.

O presidente do Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal (Iges-DF), Paulo Ricardo Silva, falou sobre os atendimentos nas Upas e hospitais de Base e Santa Maria. “Estamos articulando um plano em parceria com a Secretaria de Saúde. Estamos à disposição da secretaria como retaguarda, usando as unidades básicas de saúde como porta de entrada de pacientes com coronavírus e, havendo necessidade, forneceremos atendimentos em nossos hospitais”.

Hospital de Campanha de Ceilândia

Na última sexta-feira (27), foi entregue o Hospital de Campanha da Ceilândia. Segundo Osnei Okumoto, o prédio vem para reforçar os atendimentos na hipótese de aumento do número de casos. “Ele será todo equipado com os materiais que estavam no Mané Garrincha. Serão 20 leitos com suporte de ventilação mecânica e 40 leitos de enfermaria”.

De acordo com o secretário adjunto de Assistência à saúde, Petrus Sanchez, a expectativa é que até 15 de dezembro os equipamentos estejam instalados no hospital de Campanha de Ceilândia. “Acreditamos que na segunda quinzena de dezembro esteja funcionando todo o estabelecimento do hospital de campanha para a Covid-19”.

Para o secretário adjunto de Gestão, Bruno Tempesta, a Secretaria de Saúde depende de todo o trâmite administrativo para fazer o hospital começar a atender a população. “É necessário aditivar todos os contratos, como os dos terceirizados. Cumprindo toda a parte administrativa, o hospital passa a funcionar. Faremos tudo com bastante celeridade, mas também com responsabilidade”.

Dados

No último domingo (29), foram registrados 627 novos casos de Covid-19 e cinco óbitos. A taxa de transmissão do DF, calculada na semana encerrada no dia 27/10 está em 1,3, o que significa que 10 pessoas contaminadas transmitem o vírus para 13 pessoas. Foram registradas 30 RAs (regiões administrativas), com R(t) acima de 1 (conforme tabela), correspondendo a 88% das RAs do DF com aumento. Isso mostra a expansão da transmissão da doença no DF.

Nomeações

A secretária de Saúde nomeou neste ano, até novembro, 3.796 servidores. Foram chamados 1.119 profissionais da área da saúde efetivos e 2.597 temporários.

O GDF irá nomear, até a próxima sexta-feira (4), mais 198 profissionais. 147 médicos, dez farmacêuticos, quatro fonoaudiólogos, 12 enfermeiros da família, quatro enfermeiros obstetras e dez técnicos de hematologia e hemoterapia.  

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