Ministro Gilmar Mendes durante sessão da 2ª turma do STF.

Gilmar mendes defende a decisão do fim da Lava Jato e critica Sergio Moro, “estava em uma outra ‘estratosfera’”

Ministro do STF diz que a força-tarefa tem méritos de combater a corrupção, mas estava passando por um processo de “deslocamento institucional”

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar mendes, defendeu o fim da Lava Jato no Paraná, decretado nesta semana. Gilmar Mendes criticou o ex-ministro Sergio Moro, que foi o principal nome da força-tarefa.

Em entrevista à rede CNN Brasil, nesta sexta-feira (5), o ministro disse que a força-tarefa da Lava Jato estava em uma outra “estratosfera”. Gilmar disse que a Lava jato “tem méritos de combater a corrupção”, mas estava passando por um processo de “deslocamento institucional”.

“Todos fatos revelados indicam que a Lava Jato estava em outra estratosfera, sequer pertencia à Procuradoria Geral da República. Você não via ninguém ali. Não via presença de um corregedor. Quem é o chefe da Lava Jato, segundo diálogos vazados? É o Moro, a quem chamam de russo. Dizem que seguem código penal da Rússia. É um descolamento institucional. Por isso talvez essa importância de regresso ao Brasil. Talvez tenham que reestabelecer relações institucionais via Gaeco”, comemorou Gilmar Mendes, em entrevista exclusiva à CNN Brasil.

Na quarta-feira (3), o Ministério Público Federal (MPF) anunciou o fim da Lava Jato no Paraná. Alguns procuradores que atuavam na operação passam a integrar o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizada (Gaeco).

“Nós vivemos esses momentos todos da Lava Jato e tivemos altos e baixos. Certamente, a operação tem méritos de combate à corrupção, mas tudo indica que a PGR detectou ali uma desinstitualização”, disse o ministro do STF.

Sobre Moro, o ministro disse que espera julgar a suspeição dele no 1º semestre de 2021, no caso do tríplex de Lula. E criticou a atuação de Sergio Moro.

“Fiquei com a impressão que ele se dedicou ao embate parlamentar e reformas do congresso, mas não cuidou do bom legado do governo anterior, que criou excepcionalmente o Ministério da Segurança Pública. Isso trouxe para a União o dever de coordenar ações nesse sentido. Isso precisa ser enfatizado e retomado”, cobrou Gilmar, se referindo principalmente a problemas nos presídios. “Eles se tornaram home office do crime. A partir dali (dos presídios), se comanda a criminalidade. Prendemos bastante, mas talvez estejamos prendendo mal. Precisamos nos organizar, porque o crime está organizado. Mas o estado está mal organizado”.

Gilmar não fez muitas críticas com relação às ações tomadas pelo governo federal no combate à crise sanitária causada pela pandemia de Covid-19 no país. Para ele, é uma missão muito difícil, mas cobrou melhorias na vacinação.

“Não somos capazes de produzir e nos demos ao luxo de brigar com a China quando precisávamos de insumos. Não compramos vacinas antes e estamos iniciando de forma muito incipiente a vacinação. Mas faço votos que possamos combater essa lacuna e avançar na vacinação. Eu disse ao presidente que, diante das dificuldades com isolamento, a única solução é a vacinação em massa”, contou Gilmar.

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