(Brasília - DF, 02/06/2021) Pronunciamento do Presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Anderson Riedel/PR

Gravações indicam envolvimento de Bolsonaro em suposto esquema de rachadinha

A apuração, os áudios e os vídeos são da coluna da jornalista Juliana Dal Piva, do Uol

Áudios obtidos pelo UOL apontam o envolvimento direto de Jair Bolsonaro com o esquema de rachadinhas (desvio de salários), durante o período em que foi deputado federal.

Em uma das gravações, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente, revela detalhes do esquema.

A apuração, os áudios e os vídeos são da coluna da jornalista Juliana Dal Piva. De acordo com a jornalista, que dividiu a denúncia em três reportagens, Bolsonaro não só integrava o esquema com era quem cobrava a devolução dos salários dos assessores de ser gabinete.

De acordo com Andrea, Bolsonaro demitiu o irmão dela porque ele não estaria cumprindo o combinado de devolver o valor acertado.

“O André deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6.000, ele devolvia R$ 2.000, R$ 3.000. Foi um tempão assim, até que o Jair pegou e falou: ‘Chega. Pode tirar ele, porque ele nunca me devolve o dinheiro certo’”, disse Andrea. 

Segunda Denúncia

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Bolsonaro é conhecido na família Queiroz como “01”. Os áudios apontam diálogos entre a esposa e a filha de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, que já é investigado na investigação de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro, filho de Bolsonaro.

Nas gravações mãe e filha falam que Bolsonaro não deixava Queiroz voltar ao cargo de assessor no gabinete de Flávio.

“É chato também, concordo. É que ainda não caiu a ficha dele que agora voltar para a política, voltar para o que ele fazia, esquece. Bota anos para ele voltar. Até porque o 01, o Jair, não vai deixar. Tá entendendo? Não pelo Flávio, mas enfim não caiu essa ficha não. Fazer o quê? Eu tenho que estar do lado dele”, disse Márcia.

Terceira Denúncia 

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Já a terceira reportagem descreve como recolher salários não era uma tarefa exclusiva de Fabrício Queiroz. Ex-cunhada do presidente diz que um coronel da reserva do Exército, ex-colega do presidente na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), atuou no recolhimento de salários da ex-cunhada de Jair Bolsonaro, no período em que ela constava como assessora do antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Ao ser informado sobre as gravações de Andrea Siqueira Valle, o advogado Frederick Wassef, que representa o presidente, negou ilegalidades e disse que existe uma antecipação da campanha de 2022.

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Wassef afirmou que os fatos narrados por Andrea “são narrativas de fatos inverídicos, inexistentes, jamais existiu qualquer esquema de rachadinha no gabinete do deputado Jair Bolsonaro ou de qualquer de seus filhos”.

Desde que foi revelado o esquema conhecido como rachadinha, no fim de 2018, Bolsonaro sempre se esquivou do tema ou reagiu com rispidez quando foi questionado.

Bolsonaro disse que “se Flávio errou, vai ter de ser punido”. Em outra oportunidade, ameaçou agredir um jornalista que perguntou por que Fabricio Queiroz depositou cheques na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A partir da investigação sobre Flávio Bolsonaro, surgiu o envolvimento de Queiroz e um grupo de pessoas ligadas a ele. Com o avanço do procedimento no MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), que quebrou o sigilo bancário dos investigados, descobriu-se ainda que o esquema envolvia dez familiares de Ana Cristina Valle, segunda mulher de Bolsonaro.

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Ainda em 2019, porém, outro procedimento do MP fluminense passou a investigar suspeitas semelhantes no gabinete de Carlos Bolsonaro. Ao todo, a família Bolsonaro empregou 18 parentes de Ana Cristina.

Em março passado, o UOL revelou que quatro funcionários do gabinete de Jair Bolsonaro fizeram saques atípicos e que sua ex-mulher ficou com todo o dinheiro existente na conta da irmã que estava nomeada para o gabinete do então deputado federal.

Mas nenhum assessor tinha dito até então que era obrigado a devolver parte do salário quando estava nomeado no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

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