Ibaneis se reúne com empresários, promete mais leitos de UTI e flexibilização de medidas

A Secretaria de Saúde ampliou a oferta de leitos de UTI Covid no DF. Desde a última sexta-feira (26), a pasta já mobilizou 66 leitos em hospitais públicos e privados contratados

Com o decreto de lockdown publicado pelo governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB), empresários e comerciantes organizaram protestos contra a medida. Em conversa com representantes dos setores produtivos, o governador frisou que é preciso aumentar o número de unidade de terapia intensiva (UTIs) e reduzir a taxa de transmissão do vírus.

Segundo monitoramento da Secretaria de Saúde, a taxa de ocupação dos leitos para tratamento com Covid-19 chegou a 97,46% nesse domingo. O governo do Distrito Federal promete abrir leitos públicos e negociar novos leitos com hospitais particulares.

Manifestantes se reuniram em frente ao Palácio do Buriti, na manhã de segunda-feira (1), empresários pediam o fim das medidas restritivas. Leonardo Resende (41) afirmou que o setor produtivo não consegue sobreviver a mais um ano se trabalhar. “A gente precisa ter um amparo. Já estava um caos, com o lockdown, como fica a economia? ”, indaga. Para Tiago Oziel, 37, falta gestão. “Paramos as atividades por vários meses. Temos famílias e temos que ter movimentação. Somos a favor de uma gestão da pandemia. Mais leitos, mais vacinas, mas sem fechar o comércio”, protesta.

Ibaneis recebeu representantes dos setores. O governador afirmou que, na próxima semana, se houver diminuição da transmissão, vai avaliar a abertura de setores como escolas particulares e academias.

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Ibaneis demonstrou preocupação com a economia, mas afirmou que a saúde vem em primeiro lugar. Em suas redes sociais, o chefe do Executivo local frisou que o setor da economia não é o culpado pela disseminação do vírus. “Mas, é preciso reduzir a circulação de pessoas na cidade. É a única forma de conter o vírus”.

“Quero que todos os setores da economia voltem a funcionar, no máximo, em 15 dias. Alguns vão voltar antes. E, para isso, precisamos da colaboração de todos. O decreto de lockdown não me traz nenhum tipo de satisfação, pelo contrário. Mas eu não posso fugir das minhas responsabilidades”, completou Ibaneis.
Presidente em exercício da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Edson de Castro comemorou a decisão do governador. “Esperamos que, nos próximos dias, a ocupação de leitos baixe e, assim, o GDF possa liberar o funcionamento de mais atividades”, diz. O vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), Sebastião Abritta, considera que é preciso encontrar um meio termo. “Os empresários estão em dificuldades financeiras, pois não se recuperaram ainda do ano passado”, argumenta.

Auxílio

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Para ajudar os empresários durante o lockdown, o Banco de Brasília (BRB) abriu um novo programa de crédito e financiamento para socorrer pessoas físicas e empresários, diante do recrudescimento da pandemia de Covid-19 e da adoção de medidas restritivas. No valor de R$ 2,5 bi, o programa tem como objetivo oferecer apoio aos comerciantes que tiveram de fechar as portas e aos empresários afetados pelo longo período de crise. O incentivo estará disponível para pessoas físicas que tenham contratado crédito imobiliário, consignado ou pessoal.

Pressão Política

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O jornal Correio Braziliense apurou que, dos 24 deputados distritais, pelo menos, dez são favoráveis ao lockdown, mesmo que com ressalvas.  São eles: Fábio Félix (PSol), Arlete Sampaio (PT), Chico Vigilante (PT), Leandro Grass (Rede), Jorge Vianna (Podemos), Daniel Donizet (PL), Jaqueline Silva (PTB), Iolando Almeida (PSC), Rodrigo Delmasso (Republicanos) e Hermeto Neto (MDB).

Na Câmara Legislativa (CLDF), a deputada Júlia Lucy (Novo), que estava na manifestação dessa segunda-feira, deve apresentar um pedido dos empresários para tentar derrubar o decreto.

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De acordo com o mapa do portal In Loco, que afere o distanciamento social, a maior taxa de isolamento do DF foi em 22 de março de 2020, quando 65,6% dos brasilienses cumpriam a medida de segurança. Na última medição, feita domingo, este índice estava em 48,7%. O ideal, durante a pandemia e durante um lockdown, é que mais de 50% da população fique em casa.

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