Inflação encerra o ano de 2020 em 4,52%, acima do centro da meta do governo de 4%

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), afirma que essa foi a maior alta desde 2016

Inflação fecha o ano de 2020 em 4,52%, em comparação com 2019 em que o ano foi encerrado com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,31%, os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira (12). Essa foi a maior alta desde 2016, quando a inflação foi de 6,29%.

O resultado ficou acima do centro da meta do governo para o ano passado, que era de 4%. Mas está dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais e para menos (de 2,5% para 5,5%).

Aumentos

Os preços dos alimentos subiram 14,09% no ano e tiveram a maior contribuição com a alta da inflação no ano. Os preços do óleo de soja (103,79%) e do arroz (76,01%) dispararam no acumulado de 2020.

Uma das justificativas para o aumento dos preços dos alimentos é o pagamento do auxílio emergencial, que permitiu ganhos para parcela dos beneficiários.

Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE, ressaltou que a alta foi no mundo todo, “Foi um movimento global de alta nos preços dos alimentos, num ano marcado pela pandemia de Covid-19”, destacou.

Quando a Anel resolver declarar bandeira vermelha, a energia elétrica teve um aumento de 9,14%. Os artigos de casa também pesaram mais, disse o IBGE, por causa do efeito dólar sobre os preços dos eletrodomésticos, equipamentos e artigos de TV, som e informática.

“Tivemos dez meses consecutivos de bandeira tarifária verde, e em dezembro a gente teve a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que tem custo adicional de R$ 6,24 a cada 100 kw/h consumidos. Essa mudança tarifária contribuiu bastante para esse resultado de alta de 9,34% no mês da energia elétrica”, destacou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Juntos, alimentação, bebidas, habitação e artigos de residência representaram quase 84% da inflação de 2020. Outro grupo que também influenciou na alta foi o de transportes, que fechou o ano em 1,03%.

Os combustíveis veiculares encerraram o ano com queda acumulada de 0,06%, pressionados pela deflação tanto da gasolina (-0,19%) quanto do óleo diesel (-3,30%). Já o etanol acumulou alta de 1,81% no ano.

A única área que apresentou queda foi vestuário. Segundo Pedro Kislanov, a queda foi relativo ao isolamento social, “Por conta do isolamento social, as pessoas ficaram mais em casa, o que pode ter diminuído a demanda por roupas. Tivemos quedas em roupas femininas (-4,09%), masculinas (-0,25%) e infantis (-0,13%), calçados e acessórios (-2,14%). A única exceção foram joias e bijuterias (15,48%), por causa da alta do ouro”, explica Pedro.

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