Luciano Huck desiste da disputa e partidos discutem “terceira via” de centro para eleições de 2022

A avaliação majoritária dos dirigentes partidários ouvidos pelo Estadão é que o ex-ministro Sergio Moro também está fora da disputa

O apresentar da TV Globo Luciano Huck (49), afastou a possibilidade de se candidatar à Presidência em 2022. Agora, Huck confirmou que substituirá o apresentador Fausto Silva na emissora, mas reiterou que continuará no debate político e não descartou disputar o cargo futuro.

A avaliação majoritária dos dirigentes partidários ouvidos pelo Estadão é de que o ex-ministro Sergio Moro também está fora da disputa, embora não tenha se pronunciado a respeito.

Sem esses nomes, os partidos buscam descolar da polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já lançaram publicamente suas candidaturas.

Os líderes de partidos de centro se reuniram presencialmente pela primeira vez em um almoço nesta quarta-feira (16), em Brasília. Foram convidados para o almoço os presidentes do PDT, PSDB, DEM, SD, Podemos, Cidadania, PV, Novo e PSL.

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É consenso entre as siglas que dificilmente esse colegiado vai conseguir fechar em bloco com um nome na disputa, mas buscam ao menos uma pré-aliança em torno de um programa de ação comum. Confira os nomes já apresentados até agora.

PDT

Terceiro colocado (em empate técnico com Moro) nas últimas pesquisas de intenção de voto (6% segundo Ipespe e Datafolha), mas ainda bem atrás de Lula e Bolsonaro (41% e 23% respectivamente segundo Datafolha), o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes tem buscado dialogar com o eleitorado de esquerda e também de centro, com duros ataques a Lula.

DEM

O ex-ministro da Saúde se destacou no combate à pandemia em oposição a Bolsonaro. Deputado federal pelo Mato Grosso do Sul, enfrenta a resistência interna da ala do partido aliada ao governo. Se não se acertar com o DEM, já tem convite para disputar a Presidência pelo Podemos. Na pesquisa Datafolha, obteve 2% das intenções de voto, o mesmo que João Amoêdo (Novo), que desistiu de concorrer.

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O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), também vem ganhando destaque. Pacheco atrai inclusive apoio de outros partidos, como o PSD. PSDB e DEM, que caminharam juntos nas últimas eleições presidenciais, se afastaram após o racha no partido em torno da disputa pela presidência da Câmara (o que levou inclusive à saída do deputado Rodrigo Maia e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, da legenda) e da filiação do vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia ao PSDB, abandonando as fileiras do DEM há cerca de um mês.

PSDB

A legenda acredita que a repercussão da disputa interna será positiva e o vencedor será o “player” mais forte ao lado de Ciro Gomes. Doria aparece com 3% no Datafolha.

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MDB

O MDB tem discutido os nomes de Simone e Temer, mas sem condições reais até aqui de reivindicar o apoio dos partidos de centro. 

Ambos não tem sido citados nas pesquisas de intenção de voto. Os emedebistas fecharam uma aliança estratégica com o PSL, que ainda vive o dilema entre ser ou não aliado de Bolsonaro. Suas fileiras ainda abrigam parte da tropa de choque do governo no Congresso. MDB e PSL lançaram um programa conjunto de debates batizado “Ponto de Equilíbrio”.

Novo

O partido lançou o nome de João Amoêdo, mas ele desistiu da pré-candidatura em função da disputa interna da legenda.

Uma ala do partido defendia lançar o deputado Thiago Mitraud, de Minas Gerais. Mas a situação segue indefinida.

PSB

O PSD lançou nomes como presidenciáveis, como o dos senadores  Antonio Anastasia (MG), ex-governador de Minas, e Otto Alencar (BA), que tem se destacado na CPI da Covid. Ao saber da lista divulgada pelo Estadão, porém, Kassab procurou a reportagem para ampliar a relação de presidenciáveis do partido com Alexandre Kalil, prefeito de Belo Horizonte, Ratinho Jr. governador do Paraná e filho do apresentador de TV homônimo, e dos deputados Fábio Trad (MS) e André de Paula (PE).

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“São esses os nomes que estão sendo discutidos. Ou se incluem todos ou nenhum”, afirmou. O próprio Kassab, porém, em entrevista anterior, já havia anunciado Kalil como pré-candidato ao governo de Minas. Ou seja, assim como outros partidos, o PSD coloca diversos nomes na mesa para abrir as negociações, mesmo que não sejam conhecidos nacionalmente nem tenham potencial de voto já mapeado na corrida.

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