Brasília - Presidente afastada Dilma Rousseff, faz sua defesa durante sessão de julgamento do impeachment no Senado(Wisom Dias/Agência Brasil)

Lula, FHC e Ciro consideram inaceitáveis e desumanos os questionamentos de Bolsonaro sobre tortura de Dilma

Bolsonaro ironizou tortura sofrida por Dilma durante a ditadura militar   

Nessa segunda-feira (28), o presidente Jair Bolsonaro questionou a tortura sofrida pela ex-presidente Dilma Rousseff durante a ditadura militar. Em nota à imprensa, Dilma respondeu que o presidente “não se sensibiliza diante da dor de outros seres humanos e “revela a índole própria de um torturador”.

“A cada manifestação pública como esta, Bolsonaro se revela exatamente como é: um indivíduo que não sente qualquer empatia por seres humanos, a não ser aqueles que utiliza para seus propósitos. Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela covid-19 que, aliás, se recusa a combater. A visão de mundo fascista está evidente na celebração da violência, na defesa da ditadura militar e da destruição dos que a ela se opuseram”, disse Dilma por meio de uma nota.

Dilma atuou em movimentos de esquerda de oposição à ditadura na Organização Revolucionária Marxista – Política Operária (Polop), que era uma espécie de coalizão de dissidentes, com quadros do PCB, do PSB e do trabalhismo, além de trotskistas e outros marxistas. Na década de 1970, a ex-presidente ficou presa por três anos em razão de sua situação contra a ditadura. Bolsonaro ao falar com seus apoiadores sobre o atentado que sofreu em 2018, questionou a tortura sofrida por Dilma.

“Os caras se vitimizam o tempo todo: ‘fui perseguido’. Teve um fato aí – esqueci o nome da pessoa, mas é só procurar na internet, vai achar com facilidade – que a Dilma foi torturada e que fraturaram a mandíbula dela. Eu disse: ‘traz o raio-x pra gente ver o calo ósseo’. E isso que eu não sou médico, hein. Até hoje estou aguardando o raio-x”, disse Bolsonaro.

Solidariedade

FHC, Lula e Maia declararam solidariedade a Dilma. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou o presidente por sua fala. Maia afirmou no seu Twitter que o presidente não possui “dimensão humana”.

“Bolsonaro não tem dimensão humana. Tortura é debochar da dor do outro. Falo isso porque sou filho de um ex-exilado e torturado pela ditadura. Minha solidariedade à ex-presidente Dilma. Tenho diferenças com a ex-presidente, mas tenho a dimensão do respeito e da dignidade humana”, afirmou Maia.

“Não é sobre esquerda, centro ou direta. É sobre a dignidade humana, é disso que se trata. Nossa solidariedade à ex-presidente Dilma Rousseff. Tortura nunca mais”, disse Maia em uma postagem no Twitter.  

Fernando Henrique também se solidarizou com a ex-presidente. “Brincar com a tortura dela ou de qualquer pessoa é inaceitável. Concorde-de (sic) ou não com as atitudes políticas das vítimas. Passa dos limites”, afirmou Fernando Henrique.

Por meio de uma rede social, o ex-presidente Lula também repudiou a fala de Bolsonaro e prestou solidariedade. “O Brasil perde um pouco de sua humanidade a cada vez que Jair Bolsonaro abre a boca. Minha solidariedade a presidenta @dilmabr, mulher detentora de uma coragem que Bolsonaro, um homem sem valor, jamais conhecerá”, disse Lula.

Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), criticou as declarações do chefe do Parlamentar. “Pense em um homem que no meio de uma onda de feminicídios debocha de um mulher presa e torturada. Esse sujeito existe e, pior, preside o Brasil”.

Ciro Gomes, ex-governador do Ceará, também se manifestou. “Bolsonaro ataca Dilma por ser frouxo, corrupto e incapaz. Enquanto ela defende suas convicções, ele vende o país ao estrangeiro e, por sua irresponsabilidade, quase 200 mil brasileiros já perderam suas vidas”.

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