Brasília - O deputado Rodrigo Maia chega à Câmara dos Deputados (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Maia entende que sua gestão preservou o diálogo e evitou maiores conflitos políticos

Maia critica o governo pela demora em disponibilizar a vacina contra a Covid-19 e diz que Huck e Doria são ótimos nomes para as eleições de 2022

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encerra o mandato como presidente da Câmara em fevereiro de 2021. Ele foi eleito a primeira vez em 2016 e foi reeleito em 2017, para mandato de dois anos. Em 2019 assumiu mais uma vez a presidência da Casa. Em entrevista à Folha, Rodrigo Maia fala sobre sua gestão, que foi recuperar o protagonismo do Parlamento.

Questionado pela Folha de S.Paulo sobre a avaliação de sua gestão, Maia diz que durante um longo período do ano passado e até o meio da pandemia, com o envolvimento das redes sociais do presidente, lidou com muita agressão ao Parlamento, ao Supremo e às instituições democráticas. Se não fosse pelo Congresso, muitos dos projetos mais importantes não teriam andado. Segundo Maia, sua experiência adquirida anteriormente ajudou a manter o equilíbrio, manter o diálogo.

Para Maia, a PEC Emergencial, defendida por ele, com o objetivo de ampliar o Bolsa Família, não deveria ser deixada para ser votada apenas em 2021. Para ele, o desgaste seria menor ao abrir espaço no Orçamento e garantir a ampliação do Bolsa Família do que deixar milhões de pessoas sem nenhum tipo de proteção. Mesmo que o valor fosse menor do que o valor do auxílio emergencial.

Segundo Maia, não votar a reforma tributária foi um erro grave do governo. “Mexer nos tributos sem estar organizado com a Receita, com os técnicos do governo… seria um capricho meu tentar avançar sem isso estar bem organizado. Voto tem, e tenho certeza de que no início do ano vai ser votado, mas a questão política prevaleceu em detrimento da sociedade brasileira”.

Maia e líderes de partidos que compõem o bloco formado para disputar a presidência da Casa anunciaram na quarta-feira (23) a candidatura do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) para o comando da Câmara. Para Maia o seu candidato não irá enfrentar obstrução no início do trabalho porque, para ele, os deputados que apoiam o governo acabaram seguindo interesses do candidato do presidente Bolsonaro. “Acabada a eleição, acabou essa disputa”.

Questionado sobre a suposta oposição criado pelo grupo de Maia com relação ao governo, Maia diz que não há oposição a ninguém. “Estamos a favor da democracia, da liberdade, do meio ambiente. O nosso campo vota majoritariamente a favor da agenda econômica do governo. Após a sucessão, é óbvio que a agenda econômica vai continuar sendo liberal. Eu sempre disse que o perfil que eu acredito vencedor da Câmara vai ser alguém que seja independente”.

O apoio do PT, para Maia, apesar de ser o maior partido de oposição, foi um processo de construção política. “Temos um bloco que representa 280 parlamentares. E a representação dos 280 de forma majoritária compreendeu que o melhor caminho seria pelo Baleia, que começaria unificando o MDB e, dali para frente, unificaria toda a base. E ele tem toda a condição, como o Aguinaldo [Ribeiro, do PP] tinha, de construir uma relação com o PT, com o PSB, PDT e PC do B para que a gente tenha todos os votos unidos da esquerda”.

Ensaio para 2022

Questionado pela Folha se o bloco que formou pode ser um ensaio para 2022, Maia diz que o objetivo é o diálogo, construir projetos que caminhem no interesse da sociedade brasileira. “Acho que isso é o que esse bloco mostra, que a gente é capaz, mesmo tendo muitas diferenças em muitos temas, de sentar numa mesa e discutir a nossa democracia e o interesse do Brasil. Eu acho que é um sinal forte de que parte desse bloco pode estar junto em 2022. Nós demos o grande passo para reduzir de vez a radicalização da política brasileira”.

Para Rodrigo Maia, Luciano Huck e João Doria são ótimos nomes para as eleições de 2022. Para ele, nomes como ACM Neto (presidente do DEM), Ciro Gomes (PDT), Paulo Câmara (PSB) também são bons nomes para 2022 e tudo é questão de diálogo.

Maia diz estar à disposição do DEM para construir uma chapa, que possa ser ampla e que possa ter um projeto de nação. “Hoje nós infelizmente não sabemos qual o projeto desse governo”.

Sobre o plano de vacinação do país, Maia diz que a vacina é o único caminho para que o Brasil retome a sua normalidade. “É lastimável a posição do governo negando a vacina, não tendo um plano, não organizando e vendo os outros países inclusive da própria região começando a vacinar. E a cada dia de atraso na vacina são mil mortos no Brasil, vidas que a gente perde pela incompetência e falta de responsabilidade do governo”.

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