O presidente eleito, Jair Bolsonaro, acompanha o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia até o carro no CCBB.

Maia liga para General Ramos e reclama de interferência do Planalto nas eleições da Câmara

Faltando menos de uma semana para a eleição, assessores governistas já comemoram a derrota de Baleia Rossi, candidato de Rodrigo Maia

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, telefonou nesta terça-feira (26) para o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e reclamou de interferências do Palácio do Planalto em seu partido.

Relatos feitos à Folha de S.Paulo por congressistas governistas, em uma conversa exaltada, Maia disse a Ramos que estava incomodado com o movimento do governo federal para gerar defecções no DEM.

Maia disse que não aceitava interferências em uma disputa legislativa e apontou que as investidas do governo Bolsonaro sobre deputados federais devem ter um fim.

Em resposta, de acordo com um assessor do governo, Ramos negou que o Palácio do Planalto tenha interferido no DEM. Disse que Arthur Lira (PP-AL), candidato de Bolsonaro, tem comandado sua própria campanha.

Maia, nesse momento, enfrenta dificuldades dentro do seu próprio partido para garantir o apoio oficial de seu candidato, Baleia Rossi.

Deputados federais do DEM começaram movimento de migração do partido para o bloco de Lira. A ideia é registrar na segunda-feira (1º), dia da eleição, uma lista com assinatura da maioria dos integrantes da bancada em apoio ao candidato de Bolsonaro.

Segundo relatos feitos à Folha, para tentar impedir o movimento, Maia tem contado com o apoio do presidente nacional do DEM, ACM Neto que tem telefonado a deputados do partido para demovê-los da mudança.

A Folha mostrou, que em uma reunião fechada ocorrida nessa terça-feira (26), Rodrigo Maia manifestou insatisfação com ACM Neto, em um reflexo da dificuldade interna da legenda de se unir em torno de Baleia.

No encontro, Maia disse que o DEM corre o risco de ganhar um apelido dado ao PT no passado, o “partido da boquinha”.

A bancada federal do DEM é formada por 29 deputados. No início de janeiro, a previsão tanto dos blocos de Lira de baleia era de que 10 deputados votassem no candidato de Bolsonaro.

Pelos cálculos do bloco de Lira, devem votar no líder do centrão a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e parlamentares como Arthur Maia (BA), Carlos Gaguim (TO), Luiz Miranda (DF), Elmar Nascimento (BA) e Paulo Azi (BA).

De acordo com cálculos do governo, o partido tem hoje pelo menos 16 indicadores em postos federais, como a direção da Cofevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba).

Lira também trabalha para atrair o Solidariedade, que anunciou apoio a Baleia.

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