Metroviários entram em greve a partir desta segunda-feira

Categoria decidiu entrar em greve pois a direção do Metrô-DF não aceita a manutenção dos direitos conquistados nos últimos anos. Sistema funcionará com apenas 60% dos trabalhadores em seus postos nos horários de pico e 40% em horas normais.

 O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do DF (SindMetrô) decidiu entrar em greve a partir desta segunda-feira (19), por tempo indeterminado.  Segundo o comunicado, a empresa entrou com pedido de liminar, deferido pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), para garantir o funcionamento do sistema com o máximo de trens possível.

Após assembleia que só terminou na madrugada desta segunda, a categoria optou por não aceitar a proposta da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) e vai paralisar os trabalhos. O sistema funcionará com apenas 60% dos trabalhadores em seus postos nos horários de pico e 40% em horas normais.

A Companhia assegura que “seguirá tomando todas as providências judiciais e administrativas cabíveis para evitar maiores transtornos que a greve dos metroviários possa causar à população do Distrito Federal”.

Leia também:
Caminhoneiros seguem com paralisação em 15 Estados

Por meio de uma nota, o Metrô-DF lamenta que os metroviários iniciem uma greve em plena pandemia da Covid-19, sem votar a última proposta para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2021-2023, apresentado pela companhia.

 “A greve dos metroviários coloca em risco a saúde pública e o esforço coletivo de governo e da sociedade, que há mais de um ano combate os efeitos devastadores da covid-19”, finaliza a empresa.

Ao jornal Correio Braziliense, o secretário de Relação Sindical do Sindmetrô, Hugo Lopes, afirmou que a categoria pede que o Metrô-DF assine o acordo coletivo sem nenhuma perda de direitos adquiridos aos longos dos últimos anos. “Nós aceitaríamos a proposta feita pelo presidente do tribunal, que era prorrogação do acordo coletivo, mantendo todos os benefícios. E o governador não aceitou.”.

“Infelizmente acreditamos que será só por meio de decisão judicial (o acordo coletivo) com responsabilização da direção na justiça comum por crime de desobediência à justiça, por não cumprimento das decisões judiciais”, acrescenta o sindicalista.

O principal gatilho para o movimento paredista foi o corte do auxílio-alimentação no início de abril. “Nosso benefício é de R$ 1,2 mil, e o Metrô cortou. Não quiseram negociar nem diante do TRT. Além disso, querem cortar nosso plano de saúde e nossa previdência. São benefícios conquistados no Acordo Coletivo de Trabalho”, afirmou a diretora de administração do SindMetrô, Renata Campos.

Durante a assembleia, a metroviária Tânia Viana fez um apelo ao citar o período da pandemia de Covid vivido no mundo.  “As pessoas estão com o risco de perder o plano de saúde. É irresponsabilidade com vidas. Não só com as nossas, mas das 160 mil pessoas que carregamos todos os dias”.

Segundo Renata Campos, não há qualquer pedido de aumento salarial ou de recomposição. “Só queremos manter o que já temos”, frisou. “A proposta do Metrô-DF veio apenas sugerindo o diálogo. Mas estamos dialogando há dois meses e não houve avanços”, completou.

Os metroviários não concordam com o corte da quebra de caixa-verba destinada a cobrir os riscos assumidos pelo empregado que lida com manuseio constante de dinheiro, como venda de bilhetes.

 “É uma cláusula histórica. Existe uma súmula no TST [Tribunal Superior do Trabalho]. Segundo a Corte, quem opera as bilheterias do metrô têm direito à quebra de caixa, assim como os caixas de banco, pois operam com dinheiro”, completou Renata.

Durante as negociações mediadas pelo TRT-10, foi sugerido que houvesse a prorrogação por, pelo menos, mais 30 dias dos benefícios do Acordo Coletivo de Trabalho que estava vigente, a fim de que a negociação tenha continuidade com mais calma. O Metrô não concordou.

Print Friendly, PDF & Email