Ministério da Saúde providencia aumento de leitos de UTI devido à segunda onda da Covid-19

Aumento do número de casos e de mortes em razão do novo coronavírus gera a necessidade de disponibilizar maior número de leitos de UTI no país, após desaceleração das novas habilitações nos últimos meses

Nas últimas semanas, diversos estados brasileiros relataram aumento de internações e óbitos por coronavírus. Em uma nova atualização dos casos e mortes no último sábado (5), foram contabilizados mais de 43.209 infecções e 664 óbitos pela doença em 24 horas. Com isso, o Brasil ultrapassou a barreira de 176 mil mortes desde o início da pandemia. Até o momento, 176.962 pessoas foram vítimas da Covid-19 e 6.603.540 foram infectados. Com o aumento de adoecimentos, o Ministério da saúde ampliou o número de habilitações, como é chamada tecnicamente a criação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI).

A alta ocorreu entre agosto e outubro, após uma queda de 74%. De acordo com os dados levantados pelo Ministério da Saúde, a pedido do jornal Metrópoles, o governo federal habilitou 4,7 mil leitos em maio. Três meses depois, em agosto, a quantidade caiu para 1,2 mil.

Desde o início da pandemia, o Executivo federal habilitou 16,2 mil leitos de UTI. O custo total de manutenção foi R$ 2,3 bi no período.

Os recursos são pagos em parcela única a estados e municípios para que os gestores locais façam os custeios das unidades intensivas por 90 dias. Ao todo, 21 estados já receberam ajuda.

Leitos

Abril – 2.624

Maio – 4.777

Junho – 1.875

Julho – 2.538

Agosto – 1.208

Setembro – 1.455

Outubro – 1.485

O ministério da Saúde passou a custear mais de 175 estruturas de UTI para atendimento exclusivo aos pacientes graves com Covid-19. “A medida fortalece o Sistema Único de Saúde (SUS) e leva atendimento para a população em todo o país. As portarias que autorizam o pagamento já estão publicadas no Diário Oficial da União (DOU)”, destaca, em nota, o Ministério da Saúde.

Aumento nos números de casos  

Segundo o professor Breno Adaid, professor-pesquisador do Programa de Ciências do Comportamento da Universidade de Brasília (UnB), “A expectativa é que a segunda onda seja menor do que a primeira pois já temos uma parcela de imunes, o número de óbitos caiu em função do aprendizado, porém a disponibilidade de leitos é parte essencial desse processo de redução de óbitos”.

É preciso ficar alerta para a realidade já enfrentada em estados como Amazonas, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e Pernambuco, que estão com a ocupação da UTIs num patamar de 80%.

“Nos locais onde a lotação está perto do limiar é necessário ter um planejamento para abertura rápida desses leitos, do contrário os óbitos irão aumentar, além de aumentar a circulação das pessoas com sintomas em locais com maior disponibilidade”, conclui.

Leitos em funcionamento

Segundo o Ministério da Saúde, o governo está prorrogando o funcionamento das estruturas desde agosto. Foram 13.314 UTIs com operação renovada sob o custo de R$ 637,6 mi.

“O gestor local de Saúde pode solicitar ao Ministério da Saúde a prorrogação quantas vezes avaliar necessário, desde que atenda as orientações da pasta. Para prorrogação, a taxa de ocupação de leitos de UTI deve ser superior a 50% dos leitos encontrados no plano de contingência, além da estrutura para manutenção e funcionamento da unidade intensiva e do corpo clínico para atuação em UTI”, informa a pasta, em nota.

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