(Brasília - DF, 17/06/2020) Solenidade de Posse do senhor Fábio Faria, Ministro de Estado das Comunicações, e do senhor Marcos Pontes, Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovações. Foto: Carolina Antunes /PR

Ministro das Comunicações avalia que fortalecimento do centro não enfraquece Bolsonaro

Apesar das mais de 173 mil mortes pela Covid-19 no país, para Fábio Faria, Bolsonaro soube conduzir bem a crise provocada pela pandemia e será o candidato natural para 2022, devendo enfrentar um candidato de esquerda

Em entrevista concedida na terça-feira (1), no Ministério das Comunicações, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, acredita que o presidente Jair Bolsonaro não saiu derrotado dessas eleições pois não participou efetivamente de nenhuma campanha. O ministro ainda discorreu sobre as eleições de 2022 e os possíveis candidatos, e também sobre as eleições na Câmara dos Deputados e no Senado Federal e sobre a tecnologia 5G.

Ao ser questionado sobre os resultados das eleições municipais deste ano, se seria uma mensagem ao governo, Fábio Faria afirmou que Bolsonaro não perdeu, pois não participou diretamente das eleições e pediu para que seus ministros não interferissem nas candidaturas. Comparada ao ano de 2016, o presidente também não havia “elegido” nenhum prefeito. ”Ele (Bolsonaro) fez algumas lives, eu acho que quatro, e sinalizou para o eleitor conservador. Nas próprias lives, ele falava que, no máximo, alteraria de 5% a 6%”, disse ele.

A respeito da avaliação da imprensa de que o eleitor rejeitou os extremos, optando pelo centro, Fábio Faria avalia que Bolsonaro apoiou candidatos moderados, como foi o caso do Rio de Janeiro, com Marcello Crivella (Republicanos), e São Paulo, com Celso Russomanno (Republicanos). Segundo o ministro das Comunicações, a imprensa tentou convencer o eleitorado de que com o resultado das eleições a esquerda e o bolsonarismo perderam, mas ele entende que Bolsonaro ainda é forte politicamente, conforme demonstra o resultado da pesquisa sobre a avaliação do presidente, que tem 40% de ótimo e bom.

Para Fábio Faria, o fortalecimento do centro não influenciará nas eleições presidenciais de 2022, assim como aconteceu com Bolsonaro em 2018, que tinha apenas sete segundos de fala na televisão em sua campanha e derrotou Geraldo Alckmin, que tinha sete minutos de tempo. “Alckmin tinha apoio de governadores nos estados e não conseguia ir, porque eles não queriam recebê-lo. Do mesmo jeito que a eleição municipal é descolada da nacional, a presidencial também descola, é paixão”. 

A avaliação do ministro é de que não há impacto dos resultados das eleições sobre o governo, pois os partidos de centro estão compondo com o governo. Segundo ele, Bolsonaro não está virando centrão. O centro participa da base do governo e Bolsonaro pede que apoie as suas bandeiras. “Em 2022, a gente não sabe quem vai estar junto. A economia vai ditar muita coisa. Se crescer 3%, 4% no ano que vem, será que alguma frente vai ter tempo de criar outro candidato? Será que as pessoas não vão com Bolsonaro? Ou vão migrar para esquerda? Vejo um cenário muito incerto sobre isso. Até porque o Bolsonaro só seria derrotado se tivesse partido, se tivesse entrado na eleição e se tivesse enfrentado os partidos do centro. Isso não ocorreu”, disse o ministro.

Agenda econômica

A respeito do fato de a agenda econômica do ministro Paulo Guedes estar parada, o ministro afirmou que até mesmo a imprensa radical apoiou a reforma da previdência e que ajudará nas próximas reformas porque sabe da importância para o país. Ele entende que a base do governo ainda precisa ser testada nas votações, mas que a pauta depende do presidente da Câmara.

Eleições da Câmara e do Senado

Sobre as eleições para ocupar as cadeiras da presidência da Câmara e do Senado, Fábio entende que Bolsonaro deve olhar mais de perto essas eleições, o que ele não fez há dois anos, pois os seus projetos políticos, como a maioridade penal, precisam ser pautados.

Para escolher quem o governo vai apoiar, o presidente irá avaliar se o candidato ”tem compromisso tanto com a agenda econômica, liberal, quanto com a agenda conservadora”. O candidato a ser apoiado precisa estar comprometido com a agenda do governo, como por exemplo, as privatizações. Bolsonaro precisa construir uma base de apoio que seja suficiente para a aprovação de sua agenda, independentemente do apoio dos partidos de esquerda.

Para ele não há riscos de que o presidente Bolsonaro sofra impeachment, como ocorreu com a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, caso o presidente da Câmara apoiado por Bolsonaro não seja eleito. Afinal, para Fábio Faria, não estamos vivendo a mesma crise econômica e política de antes. “Enquanto o presidente Bolsonaro tem 42% de ótimo e bom (avaliação), ela tinha 7%. Dilma não tinha mais a capacidade política de dialogar com a sociedade, a política econômica dela estava frágil. Era um outro momento”.

Ao ser questionado se o candidato apoiado por Bolsonaro é Arthur Lira (PP-AL), o ministro afirma que ele tem o direito de se apresentar porque vem construindo um apoio político há cerca de dois anos, tem apoio do PSD, do PL, do PTB e do PP.

Eleições 2022

Para as eleições de 2022, Bolsonaro precisará definir um partido pelo qual irá concorrer até o segundo semestre do próximo ano, na opinião do ministro. Ele entende que o presidente não deve procurar um partido grande, mas tentar ainda a criação do partido Aliança pelo Brasil ou entrar em um partido pequeno. “Não cabe a mim falar sobre isso. Isso é a parte política do governo. Em nenhum momento, em nenhuma conversa que tive com ele, Bolsonaro vislumbrou uma ida para partidos maiores. Acho que isso está fora. Ele vai querer ir para um partido no qual tenha controle. Eu vejo muito mais ele indo para o Aliança ou um partido menor, que possa criar, do que uma legenda com 30, 40 deputados”.

Mesmo com mais de 173 mil mortes no país devido à pandemia do novo coronavírus, Fábio Faria ainda assim acha que Bolsonaro acertou na forma com que lidou com a crise, ao não apoiar as medidas de lockdown. Para ele, poderia haver uma paralização da economia com difícil recuperação, que poderia demorar de quatro a seis anos, como entende que será na Argentina. “O desemprego ainda não aumentou. Estamos com uma taxa parecida com a do começo da pandemia. Isso porque as empresas receberam recursos para manter empregos. Todos os setores que acharam que iam quebrar, receberam ajuda do governo federal. Muitas empresas que não tinham a menor capacidade de chegar ao fim do ano chegaram devido ao que o governo fez. O Congresso também votou”. 

Para o ministro, Bolsonaro é o candidato natural para as eleições presidenciais, pois foi fazendo seu nome ao longo dos anos. “O Brasil tem essa rivalidade. Não sei os nomes que virão da esquerda. Mas acho muito difícil o centro fabricar um nome. Trazer um nome fora da política. Não tenho nada contra os outsiders, mas não vejo isso ocorrendo em 2022”.

Já João Doria (PSDB-SP) é um nome já desgastado em São Paulo. “O problema do Doria é que as pessoas não aceitam traição. O Brasil admite a traição, mas não perdoa o traidor. O Doria teve traição muito forte contra o Alckmin”. Questionado sobre a possível candidatura do ex-ministro Sergio Moro e o apresentador de televisão Luciano Huck, o ministro acha que ele está bem colocado como apresentador. “Não acho que pode migrar de um programa para a Presidência da República. Tem que ter uma escalada. Não quero entrar no mérito, porque acho que as pessoas têm de vir para a política para ajudar, mas é preciso experiência”.

Ele entende que a esquerda no Brasil ainda é forte e será o principal adversário de Bolsonaro em 2022, possivelmente contra Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSol) e Fernando Haddad (PT).

5G

Com relação à tecnologia 5G, o governo está sendo acusado de excluir da disputa a empresa chinesa Huawei. O ministro das Comunicações não vê dessa forma e afirma que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) é totalmente isenta, assim como a Anvisa em relação às vacinas. Ele considera que os conselheiros são técnicos. “Quem foi escolhido foi o Baigorri (Carlos Manuel Baigorri, diretor da Anatel), praticamente uma unanimidade no conselho, com apoio de todas as operadoras, emissoras e donos de rádios, associações. Não teve ninguém contra o nome dele. Foi escolhido como relator”.

Para Fábio Faria, o 5G provocará muitas outras mudanças no Brasil, não apenas aumento de velocidade de internet. “O 5G traz novas profissões, a telemedicina, por exemplo, médico aqui de Brasília operando alguém lá no interior do meu estado. Os veículos autônomos vão funcionar mesmo. A internet das coisas (IoT) vai funcionar de fato com o 5G. Um veículo autônomo, no 4G, pode não parar a tempo de um farol fechado, provocando acidente. No 5G, a latência (tempo de resposta) é muito baixa”.

Privatizações

Com relação às privatizações dos Correios e da Telebras, o ministro considera que a dos Correios já está bem avançada, com o PL (projeto de lei) a ser enviado, após as eleições, da SAJ (Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência da República) para o Congresso. Com relação à Telebras, não vai para o Congresso, mas deverá ser aprovada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), no qual não pode haver ingerência.

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