Morte de preso na Papuda revela falhas do sistema prisional

Preso foi morto por outro detento em Complexo Penitenciário da Papuda, família entrará com processo por negligência

O detento Rubens Ricardo Nascimento (25) foi morto na tarde de domingo, no Complexo Penitenciário da Papuda, por outro interno, Marcos dos Santos (28). A morte aconteceu no Pavilhão 1, quando os detentos tomavam o banho de sol. Essa morte mostrou falhas no sistema prisional do DF. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seape-DF) irá apurar o ocorrido.

Os dois detentos discutiram no pátio. Marcos estava portando uma faca artesanal, conhecida como “estoque”.  O interno tentou atingir Rubens várias vezes, mas não conseguiu, até que finalmente, atingiu a região do peito. A sirene tocou para que o reforço da equipe fosse feito. Marcos estava muito agitado e com a faca na mão. Os policiais precisaram usar a bala de borracha, que atingiu a perna direita dele.

O detento morto recebeu atendimento imediato pela equipe de Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), segundo a Seape por meio de nota oficial. Sua irmã, no entanto, contesta essa versão. Segundo Thais Stefany (23), em entrevista ao jornal Correio Braziliense, sua família irá entrar com um processo por negligência médica. “Trataram ele como um lixo. Primeiro, ficamos sabendo da morte do meu irmão cinco horas depois do falecimento. Ligaram no celular da minha outra irmã informando que ele estava indo para o banho de sol e se envolveu em uma confusão generalizada, onde esfaquearam ele”

Segundo Stefany, seu irmão iria para regime aberto no mês que vem e havia recebido uma carta de emprego. “Estava tudo certo. Ele estava ansioso para sair, trabalhar e formar uma família. Só falava disso. Merecia uma segunda chance. Todos merecem. Minha mãe não levanta da cama. Ela está desnorteada, na cabeça dela, ela vai tirar a senha e vai visitá-lo na quinta-feira. Só queremos justiça, porque ele não volta nunca mais. O presídio nos detonou”. 

O que foi usado pelo interno que matou Rubens Alves é conhecido por faca artesanal usada para cavar paredes e para fugas. As ferramentas usadas por esses detentos são escondidas em colchões, roupas e em vasos sanitários. Segundo Paulo Rogério da Silva do Sindicato dos Policiais Penais (Sindpol-DF),  “O CIR também é um dos presídios mais antigos da Papuda. As estruturas são fracas e isso facilita a ação para que o preso produza essa faca. Ele cava a parede até chegar na barra de ferro, extrai o concreto e faz o armamento. Mas as revistas em celas feitas pelos policiais penais são diárias”

No dia 10 de outubro, 17 internos lotados no Centro de Detenção Provisória I (CDP I) cavaram, por quatro dias, com a faca artesanal , desceram o prédio com a corda de pano, chamada de “teresa” e fugiram, o que mostra as falhas no sistema prisional do Distrito Federal. Quatro detentos ainda estão foragidos.

Rubens Ricardo Nascimento foi enterrado nesta manhã de terça-feira, no Campo da Esperança de Taguatinga.

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